terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

GESTÃO AMBIENTAL PROATIVA

GESTÃO AMBIENTAL
PROATIVA
ABSTRACT
Industrial companies that look for a competitive advantage
or to even survive and to adjust to a turbulent and
unforeseeable business environment realize that they need
to increasingly strike new attitudes related to environmental
problems. These new attitudes include a continuous
changing process on the manner to manage their business
in the organizations. Thus, some industrial companies are
developing new ways to deal with the environmental
problems through auto-regulation mechanisms or proactive
environmental management.
São Paulo, v. 40 n. 1 • p. 76-87
RESUMO
As empresas industriais que procuram manter-se competitivas
ou mesmo sobreviver e se ajustar a um ambiente de negócios
turbulento e imprevisível percebem cada vez mais que,
diante das questões ambientais, são exigidas novas posturas,
num processo de renovação contínua, seja na maneira
de operar seus negócios, seja em suas organizações. Nesse
sentido, as empresas industriais estão desenvolvendo novas
formas de lidar com os problemas ambientais, mediante
mecanismos de auto-regulação ou por meio de uma gestão
ambiental proativa.
Gestão ambiental proativa
R©A 2E0 0•0 ,v .R 4A0E •- Rne. v1i s •ta dJea nA./dMmairn. is2t0ra0ç0ão de Empresas / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil. 77
INTRODUÇÃO
O ambiente de negócios na década de
90 tem-se mostrado bastante instável e turbulento,
verificando-se a existência de mudanças
bastante drásticas no processo econômico
e produtivo mundial, com implicações
diretas para as empresas industriais.
Fatos como transformações na economia internacional
e globalização da produção e do
consumo têm sido acompanhados de outras
mudanças como, por exemplo, um crescente
grau de exigência dos consumidores, que,
por meio de seu poder de compra, estão buscando
variedade de produtos, demonstrando
a sua preocupação pela qualidade e manifestando
uma constante exigência para
melhorar o binômio preço-desempenho.
A emergência desse consumidor mais
agressivo e exigente reflete em grande parte
as mudanças que a própria sociedade vem
sofrendo quanto a valores e ideologias e que
envolvem suas expectativas em relação às
empresas e aos negócios. Esses novos valores
e ideologias incluem a democracia, a
igualdade de oportunidades, a saúde e a segurança
no trabalho, a proteção ao consumidor,
um meio ambiente mais limpo, entre
outras questões. Seja como consumidores,
ou como trabalhadores, ou ainda por
meio do governo ou da mídia, a sociedade
tem pressionado para que as empresas incorporem
esses valores em seus procedimentos
operacionais. Como conseqüência,
as empresas estão se deparando com um
ambiente externo em que cada vez mais as
questões sociais, políticas e legais, inexistentes
ou apenas latentes em períodos anteriores,
adquirem uma nova perspectiva
administrativa.
As empresas industriais que procuram
manter-se competitivas ou mesmo sobreviver
e se ajustar a esse novo ambiente de
negócios, que já se mostra bastante concorrido,
marcado por incertezas, instabilidades
e rápidas mudanças, percebem cada vez
mais que, diante das questões ambientais,
são exigidas novas posturas, seja na maneira
de operar seus negócios, seja em suas organizações.
Essa renovação implica contínuas
mudanças, que podem ser dolorosas e
custosas também em termos financeiros, especialmente
se forem impostas, como por
meio de regulamentações ambientais, ou se provierem
de uma imagem pública negativa, como por
atritos com comunidades locais ou um desastre ambiental.
Essas mudanças podem, ainda, ser
gerenciadas internamente mediante mecanismos de
auto-regulação ou por ações individuais, como será
visto a seguir.
A AUTO-REGULAÇÃO
A auto-regulação representa iniciativas tomadas
pelas empresas ou por setores da indústria para
empreender e disseminar práticas ambientais que
promovam uma maior responsabilidade das empresas
quanto às questões ambientais, mediante a
adoção de padrões, monitorações, metas de redução
da poluição e assim por diante. Num sentido
mais amplo, pode-se dizer que é uma das diversas
maneiras de equilibrar as forças de mercado e
distribuir de maneira mais justa, em termos monetários,
os danos que a sociedade está suportando
como efeito da modificação da qualidade do
meio ambiente.
A auto-regulação tem-se apresentado sob diversas
formas. Uma delas são os acordos voluntários,
que têm sido usados desde a década de 70, especialmente
em países desenvolvidos, algumas vezes
para complementar e tornar mais fortes as regulamentações
já existentes. Trata-se de contratos entre
autoridades públicas (por exemplo, o Ministério
ou a Secretaria do Meio Ambiente) e a indústria
(uma associação industrial ou uma firma individual)
ou entre uma firma e uma municipalidade
ou associação de moradores locais, sob os quais as
indústrias ou firmas se comprometem a alcançar
uma série de objetivos ambientais. Os contratos têm
a força de lei privada, somente, e não acarretam
AS EMPRESAS INDUSTRIAIS
QUE PROCURAM MANTER-SE
COMPETITIVAS PERCEBEM
CADA VEZ MAIS QUE, DIANTE
DAS QUESTÕES AMBIENTAIS,
SÃO EXIGIDAS NOVAS
POSTURAS, NUM PROCESSO
DE RENOVAÇÃO CONTÍNUA.
78 RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Economia de Empresas
penalidades legais pela quebra de seus termos. Algumas
de suas vantagens, sob o ponto de vista da
indústria, relacionam-se ao fato de oferecerem um
incentivo para as firmas investirem em processos
de produção mais adequados, em vez de se submeterem
aos objetivos ambientais impostos por
autoridades governamentais, além de concederem
uma imagem pública mais positiva da indústria
para os governos, as comunidades locais e a própria
sociedade (Potier, 1994).
Outra forma de auto-regulação, mais recentemente
utilizada, são os princípios e códigos de condutas
empresariais internacionais, como o Programa
Atuação Responsável (Responsible Care) da
indústria química, elaborado em 1985 no Canadá
e disseminado em diversos outros países, inclusive
no Brasil, pelas associações nacionais do setor;
os Princípios Ceres (antigamente chamados Princípios
Valdez), que datam de 1989, mas com uma
nova versão de 1992; o Keidaren Global
Environment Charter, organizado no Japão em
1991; a Carta de Princípios para o Desenvolvimento
Sustentável, lançada pela Câmara Internacional
de Comércio (CIC) em 1991, entre outros.
Também se enquadram nas iniciativas de autoregulação
as parcerias formadas entre empresas,
como, por exemplo, o Compromisso Empresarial
para a Reciclagem (Cempre), com empresas nacionais
e multinacionais voltadas para o desenvolvimento
e a capacitação da indústria brasileira nessa
área; ou a Gemi (Global Environmental
Management Initiative), uma “rede de negócios
verdes” sediada em Washington, Estados Unidos,
formada por 20 empresas norte-americanas de
grande porte, como a Procter & Gamble, a AT&T,
entre outras, interessadas em promover a
implementação da Carta da CIC e
(com)partilhar as melhores práticas de gestão
ambiental.
Trata-se, todas as formas de autoregulação,
de iniciativas que marcam um
novo contexto de participação do empresariado
rumo à consciência e às responsabilidades
ambientais, também com a preocupação
de adequar os princípios de sustentabilidade
à realidade dos mercados em que
as empresas estão inseridas.
A POSTURA PROATIVA
A auto-regulação também se estende a
empresas agindo por sua própria iniciativa
e interessadas no desempenho de seus próprios
negócios. Nesse sentido, empresas industriais
adotam posturas proativas em relação
ao meio ambiente mediante a incorporação
dos fatores ambientais nas metas,
políticas e estratégias da empresa, considerando
os riscos e os impactos ambientais
não só de seus processos produtivos mas
também de seus produtos. Assim, a proteção
ambiental passa a fazer parte de seus
objetivos de negócios e o meio ambiente
não é mais encarado como um adicional de
custo, mas como uma possibilidade de lucros,
em um quadro de ameaças e oportunidades
para a empresa.
Nesse contexto, o meio ambiente assume
as características descritas por Buchholz
(1992) como de uma questão estratégica para
os negócios de uma empresa, a saber: a) coloca
uma tendência ou oportunidade atual ou
prospectiva; b) surge de alguma tendência
ou desenvolvimento interno ou externo; c)
pode ter um impacto potencial importante
no crescimento, na rentabilidade ou na sobrevivência
dos negócios; d) o curso ou impacto
da questão podem, de alguma forma,
ser influenciados pela ação da empresa.
Sob esse prisma, o meio ambiente gera
uma nova perspectiva na agenda de negócios
de empresas proativas, que pode ser
estabelecida sob duas óticas distintas: o
meio ambiente como base de negócios ou
de desenvolvimento de idéias. Como base
de negócios, o meio ambiente apresenta
oportunidades e ameaças para os interesses
dos negócios. A base de negócios pode
TRATA-SE, TODAS AS
FORMAS DE AUTOREGULAÇÃO,
DE INICIATIVAS
QUE MARCAM UM NOVO
CONTEXTO DE PARTICIPAÇÃO
DO EMPRESARIADO RUMO
À CONSCIÊNCIA E ÀS
RESPONSABILIDADES
AMBIENTAIS.
Gestão ambiental proativa
RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000 79
identificar novas oportunidades para o desenvolvimento
de processos, produtos e
mercados, assim como para influenciar e
alterar as exigências de consumo nos mercados
já existentes, podendo, ainda, obrigar
o fechamento de uma fábrica. Já como
base de desenvolvimento de idéias, o meio
ambiente contribui como parte de uma análise
crítica da forma como a sociedade e os
negócios operavam no passado, levantando
questões acerca dos paradigmas existentes
e a construção de novos paradigmas. A
base de desenvolvimento de idéias coloca
novas formas de pensamento e questões
como o desenvolvimento sustentável e a
responsabilidade ambiental (Roome, 1994).
Partindo dessas novas bases de negócios
e de idéias, a empresa estabelece uma
responsabilidade ambiental por processos
e produtos que envolve um relacionamento
diferente, compartilhado, com fornecedores
e consumidores, no que se refere à
prevenção da poluição, à minimização dos
resíduos e à proteção dos recursos naturais.
A essa responsabilidade, adicionamse
outras, por questões ambientais mais
difusas, como o bem-estar dos trabalhadores,
da comunidade e até de gerações futuras.
Isso obriga as empresas industriais
a usarem horizontes de longo prazo e visões
mais amplas de seus processos de desenvolvimento
de produto e análise de desempenho.
Com isso, requer-se um novo
conjunto de valores, incluindo políticas e
metas que incorporem a dimensão ambiental
na organização.
Verifica-se, assim, que as empresas industriais
que buscam uma postura proativa
em relação às questões ambientais deparam-
se com necessidades de mudanças que
começam por seu próprio ambiente interno,
mudanças essas que podem ser de diversos
graus, conforme as especificidades
da organização e as pressões existentes
para que se adote uma postura diferenciada
em relação ao meio ambiente. De uma
maneira geral, as mudanças internas necessárias
envolvem o reconhecimento da
natureza interdisciplinar e interfuncional
dos problemas ambientais, o que exige que
as áreas funcionais da organização
interajam e se integrem entre si, em termos
de comunicação, de autoridade e de
fluxo de trabalho. Também se requerem novas formas
de relacionamento com os grupos de interesses
da organização, como trabalhadores, consumidores,
fornecedores, agências governamentais,
comunidades, etc., para dar-lhes sinais de que esforços
estão sendo concentrados para atender às
suas exigências e para prever demandas futuras.
Conseqüentemente, é buscada uma estrutura que
suporte essa interação, integração e comunicação,
interna e externa.
Uma terceira necessidade de mudanças internas
identificada é a busca de novas informações, seja
sobre os impactos ambientais de processos e produtos,
atuais e futuros; seja sobre conceitos, ferramentas,
técnicas, tecnologias e sistemas para capturar
esses impactos ambientais; seja sobre as exigências
e tendências externas. Ao mesmo tempo, é
preciso acolher formas de pensamento e análise que
comportem as ambigüidades, complexidades e interdependências
dessas informações. Requerem-se,
assim, novos sistemas que comportem as novas tarefas,
assim como talentos gerenciais para lidar
com a dimensão ambiental.
Assim, uma empresa que adota uma postura
proativa diante dos imperativos ambientais precisa
inovar não só seus produtos e processos mas também,
como coloca Roome (1994), sua organização.
Ao realizar essas inovações – nos processos, nos
produtos, nas estratégias e na organização –, as empresas
industriais desenvolvem uma capacidade de
se antecipar às exigências externas, dos governos,
dos mercados ou da própria sociedade, mais do que
esperar que essas exigências se desenvolvam e se
tornem pressões para a adoção de práticas ambientais
mais sustentáveis.
É interessante notar que a abordagem proativa
não é restrita à gestão do meio ambiente, mas parte
de uma tendência que está emergindo na admi-
UMA EMPRESA QUE ADOTA
UMA POSTURA PROATIVA
DIANTE DOS IMPERATIVOS
AMBIENTAIS PRECISA INOVAR
NÃO SÓ SEUS PRODUTOS E
PROCESSOS MAS TAMBÉM
SUA ORGANIZAÇÃO.
80 RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Economia de Empresas
nistração em geral. Essa tendência é evidenciada
nas obras e declarações de Peter Drucker (1992;
Netz e Carvalho, 1995), Davidow e Malone (1993),
Hamel e Prahalad (1994, 1995a, 1995b), entre outros
autores, que incentivam as empresas a enxergarem
mais longe e se anteciparem às mudanças,
permitindo a obtenção de vantagens competitivas
em seus mercados e também a criação de novos
mercados. As prescrições sempre passam por reformas
na organização que incluam a alteração das
estruturas e sistemas, mudanças no pensamento ou
nas filosofias e aprendizado de novos comportamentos
e práticas da empresa industrial. Sendo
assim, a gestão ambiental proativa também requer
o tipo de reforma organizacional que é buscada
para que os negócios sejam bem-sucedidos econômica
e comercialmente.
Tecnologias ambientais: emprego e gestão
Um elemento fundamental para assegurar o desempenho
econômico, produtivo e ambiental de
uma empresa industrial é a utilização de tecnologias
ambientais. O uso da tecnologia já vem se
mostrando um fator importante nas últimas décadas
para assegurar a rentabilidade e a competitividade
da maioria das empresas industriais. No caso
da proteção ambiental, as tecnologias ambientais
envolvem:
a) tecnologias de controle de poluição (end-ofpipe),
cujo principal objetivo é combater as
saídas indesejáveis de resíduos do processo produtivo
(poluição), sem realizar intervenções no
próprio processo. Trata-se de equipamentos de
controle de emissões e efluentes, tais como filtros
purificadores, incineradores e redes de tratamento
de água e esgoto, entre outros, que removem
os resíduos poluentes ou reduzem sua
toxicidade;
b) tecnologias de prevenção da poluição,
centradas no processo produtivo para torná-lo
mais eficiente, ou seja, ampliar a taxa de utilização
dos insumos nos produtos fabricados. Essas
tecnologias permitem não só reduzir os resíduos
e poluentes na fonte mas também
reutilizar ou reciclar os resíduos produzidos,
preferencialmente ainda na planta industrial,
voltando diretamente ao processo produtivo, e,
em último caso, tratar os resíduos que não podem
ser eliminados, reutilizados ou reciclados;
c) tecnologias de produtos e processos dentro do
que foi conceituado pelo Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como a
aplicação contínua de uma estratégia ambiental
preventiva integrada aos processos e
produtos para reduzir riscos aos seres
humanos e ao meio ambiente (What...,
1994). Para os processos produtivos, a
estratégia ambiental inclui a conservação
de matérias-primas e energia, a eliminação
de matérias-primas tóxicas e a
redução da quantidade e toxicidade de
todas as emissões e resíduos antes de
deixarem o processo. Para os produtos,
a estratégia concentra-se na redução de
impactos por todo o ciclo de vida do produto,
da extração das matérias-primas
até a disposição final do produto.
O emprego de tecnologias de produtos
e processos concorre para uma série de benefícios
para uma empresa proativa ambientalmente,
dentre os quais se podem destacar
(Maimon, 1994; Donaire, 1994; Porter
e Van der Linde, 1995a, 1995b; Roome,
1994; Shrivastava 1994/1995):
• melhorias na eficiência produtiva com
menor utilização de energia e materiais
por unidade de produto;
• minimização da quantidade de resíduos
dispostos no meio ambiente;
• desenvolvimento de tecnologias mais
limpas, que se transformam em vantagens
competitivas e até mesmo em produto,
com a possibilidade de auferir receitas
com transferência de tecnologia,
como, por exemplo, o licenciamento de
patentes, a prestação de assistência técnica,
etc.;
• desenvolvimento de novos produtos para
novos mercados, seja mediante o
reaproveitamento de resíduos e sua utilização
como um novo produto, seja mediante
o desenvolvimento de produtos
com atributos ambientais;
• maior segurança pública e minimização
dos impactos ambientais de produtos;
• melhoria da imagem pública e das relações
com os órgãos governamentais,
com a comunidade e grupos ambientalistas,
permitindo até um maior escopo
para auxiliar e influenciar os governos
em novas regulamentações;
• melhoria nas condições de segurança e
saúde dos trabalhadores e nas relações
de trabalho;
• maior comprometimento de todo o staff
da empresa.
Gestão ambiental proativa
RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000 81
Entretanto, não é a mera posse da tecnologia
que assegura o sucesso de sua implementação,
mas sua apropriada gestão.
Nesse sentido é que as empresas industriais
que buscam a proteção ambiental vêm
incorporando uma nova função administrativa
em sua estrutura, com um corpo técnico
específico e um sistema gerencial especializado.
Essa nova função administrativa,
um departamento ambiental na estrutura
da organização, permite que a empresa
industrial administre adequadamente suas
relações com o meio ambiente, avaliando e
corrigindo os problemas ambientais presentes,
minimizando os impactos negativos
futuros, integrando articuladamente todos
os setores da empresa quanto aos imperativos
ambientais e realizando um trabalho de
comunicação ativo, interno e externo.
Em estudos realizados com empresas
norte-americanas de diversos setores, Hunt
e Auster (1995) verificaram que o departamento
ambiental de empresas proativas é
provido de pessoal com indivíduos determinados,
motivados, de alto nível, que têm
um conceito de gestão ambiental que vai
muito além da idéia do policiamento e da
prevenção da poluição. Esse departamento
promove programas preventivos que se estendem
por toda a organização, treina os
empregados e promove a conscientização
e responsabilidade ambiental em todos os
níveis da organização, monitora as operações
continuamente e trabalha rapidamente
para corrigir problemas assim que ocorrem.
Também há uma grande ligação entre
a função ambiental e os níveis mais altos
de administração, por meio de relações de
informações diretas, encontros periódicos
ou laços informais. Assim, as exigências e
as metas quanto aos ditames ambientais são
claras em todos os níveis da organização, e
sistemas que facilitam o alcance dessas
metas são constituídos em cada área da
empresa. Adicionalmente, há uma forte atuação
com os agentes reguladores, o próprio
governo e também em comunidades locais.
Enfim, empresas industriais que adotam
uma postura proativa em relação ao meio
ambiente procuram continuamente se capacitar
melhor para enfrentar os desafios ambientais
e promover a proteção e a responsabilidade
ambientais, tanto externamente
quanto em suas estruturas organizacionais, buscando
também garantir que os negócios sejam bemsucedidos
econômica e comercialmente.
Resistências à adoção de posturas proativas
em relação ao meio ambiente
Embora a direção da proteção e da responsabilidade
ambientais pareça inevitável no contexto de
mudanças das empresas industriais e favorável aos
interesses dos negócios pelas melhorias na competitividade
global da empresa, é ainda uma prática
pouco difundida, como mostram pesquisas efetuadas
com empresas da Comunidade Européia, que
detectaram que a responsabilidade ambiental nem
sempre faz parte da estratégia de uma empresa industrial,
a não ser que esta receba sinais claros de
exigências do mercado (Maimon, 1994). Por sua
vez, uma pesquisa nos Estados Unidos, conduzida
em 1992 pela Associação Nacional de Gerentes
Ambientais, concluiu que a maioria das empresas
que empregam gerentes ambientais o fazem por
questões de conformidade às regulamentações, sendo
que quase nenhuma delas pensa em termos de
melhorias em projetos ou processos (Wheeler III,
1992). No Brasil, o quadro é mais dramático, uma
vez que 75% das maiores empresas industriais do
país nem possuem um sistema de gestão ambiental,
segundo pesquisa realizada pela Price
Waterhouse (Gomes, 1996). A maioria das empresas
industriais, tanto no Brasil como nos países desenvolvidos,
enfim, ainda não estão dando a devida
importância à dimensão ambiental e a suas implicações
para suas atividades de negócios, não
desenvolvendo, assim, respostas adequadas.
A relutância em adotar uma postura proativa em
relação aos imperativos ambientais fica expressa
na profusão de reclamações quanto às políticas ambientais
governamentais, quanto à sua rigidez,
É INTERESSANTE NOTAR QUE
A ABORDAGEM PROATIVA NÃO
É RESTRITA À GESTÃO DO
MEIO AMBIENTE, MAS PARTE
DE UMA TENDÊNCIA QUE
ESTÁ EMERGINDO NA
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL.
82 RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Economia de Empresas
quanto à sua eficiência e especialmente quanto aos
altos custos de conformidade,1 especialmente nos
países desenvolvidos, nos quais os governos vêm
intensificando sua ação nessa área. Alguma razão
pode ser dada a essas críticas, se se considerar que
os custos de conformidade às regulamentações
ambientais podem ter um impacto adverso na
lucratividade de setores ou empresas industriais
que já têm menor competitividade no mercado. É
o caso daqueles setores sujeitos a maiores custos
de mão-de-obra, menor disponibilidade de capital
ou atraso tecnológico, nos quais os custos ambientais
representam uma compressão ainda maior das
margens de lucro das empresas. Nesses casos, porém,
os problemas não parecem se relacionar unicamente
ao meio ambiente, e não seria só a política
ambiental que afetaria o desempenho econômico-
financeiro dos setores ou das empresas industriais
em questão.
Também não se pode negar que as regulamentações
ambientais afetam a estrutura de custos das
empresas industriais, mesmo das que não têm os
problemas acima identificados. Dados da Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), porém, mostram que os custos
de conformidade ambiental nos países membros –
que são os que em geral praticam as políticas ambientais
mais restritivas – constituem em média
menos de 3% dos custos totais ou de giro na maioria
dos setores industriais (Stevens, 1993).
Uma série de iniciativas bem-sucedidas por parte
de algumas empresas industriais pode, ainda, tornar
alguns desses argumentos defensivos uma falácia.
Sem discutir aqui a eficiência e efetividade
das políticas ambientais dos governos em incentivar
a busca de soluções alternativas, mais criativas,
para os problemas ambientais, há efetivamente
casos que não têm considerado
a postura governamental como uma barreira,
mas sim como uma base de lançamento
de inovações, conseguindo benefícios
internos e vantagens sobre muitos
concorrentes que relutam ou retardam em
segui-los. Alguns desses casos que se pode
apontar são:
a) Forçada a obedecer a novas regulamentações
norte-americanas para reduzir as
emissões de solvente, a 3M, do setor químico,
descobriu uma forma de evitar o
uso dessa substância, substituindo-a por
soluções aquosas. Tal mudança resultou
não só numa melhoria de produtividade,
por se tratar de substituição de um
material por outro mais barato e mais
seguro, mas também propiciou à empresa
uma vantagem de liderança no desenvolvimento
de produtos sobre os concorrentes,
que a seguiram só mais tarde
(Porter e Van der Linde, 1995a).
b) Atenta à gestão de resíduos, que está sob
uma rigorosa legislação nos Estados
Unidos, a Du Pont & Co., empresa do
setor químico, descobriu um novo produto
químico, conhecido como HMI. A
empresa verificou que o HMI,
subproduto do processo produtivo do
nylon, poderia ser usado nas indústrias
farmacêutica e de tintas e, desde então,
o HMI se tornou uma das principais fontes
de lucro para a Du Pont (Wheeler III,
1992).
c) Empresas européias fabricantes de papel
estão sujeitas a uma regulamentação
de gestão de resíduos sólidos, que, em
relação à regulamentação norte-americana,
é mais rigorosa e está em vigor há
muito mais tempo. No entanto, os fabricantes
europeus conseguiram desenvolver
uma infra-estrutura de gerenciamento
de resíduos tão mais sofisticada que
os norte-americanos que lhes está permitindo
obter produtos de melhor qualidade,
menos contaminados e conquistando
fatias crescentes no mercado asiático,
em detrimento dos fornecedores
norte-americanos (Biddle, 1993).
d) Algumas pequenas destilarias indianas
usavam tecnologias antigas e tradicionais
para a produção de seus produtos,
O PAPEL DA ALTA
ADMINISTRAÇÃO É
FUNDAMENTAL PARA QUE AS
INICIATIVAS E OS ESFORÇOS
DA ORGANIZAÇÃO RUMO
À PROTEÇÃO E ÀS
RESPONSABILIDADES
AMBIENTAIS TENHAM SUCESSO.
Gestão ambiental proativa
RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000 83
lançando um cheiro desagradável e substâncias
tóxicas no meio ambiente. Verificando
o enrijecimento das legislações
ambientais em todo o mundo, essas destilarias
buscaram uma organização internacional
especializada que as ajudou a
desenvolver e instalar um processo de
tratamento que não só reduziu em 95%
os resíduos tóxicos no meio ambiente
mas também gerou um subproduto, o
metano, que passou a ser utilizado como
substituto energético, reduzindo também
os custos de consumo de energia nas empresas
(North, 1992).
Já outras empresas lidavam com problemáticas
ambientais muito antes do advento
recente da preocupação ambiental e das
pressões regulamentares mais duras. Muitas
questões de gestão ambiental eram abordadas,
monitoradas e controladas por meio
da produção diária, sem que fossem estabelecidos
os conceitos e termos que utilizamos
quanto aos problemas ambientais
nem as pressões externas a que as empresas
industriais estão sujeitas atualmente.
Esse é o caso da Volkswagen, que reconheceu
as considerações ambientais como um
interesse operacional e estratégico somente
no final da década de 80. No entanto,
desde a construção de sua primeira planta
em Wolfsburg, na Alemanha, em 1938, a
empresa vem considerando os aspectos ambientais,
buscando a utilização de processos
de produção baseados na minimização
do uso de água e de sua reciclagem, devido
à escassez de água na região próxima à fábrica
(Welford, 1994).
Também os fabricantes do setor de papel
inserem-se na mesma situação. Por
exemplo, as norte-americanas Fort Howard
Wisconsin Tissue Mills e Marcal já vêm
usando a reciclagem de sobras de papel
como fonte principal de seus processos de
fabricação desde a década de 20. Fazendo
isso, elas exploraram um recurso barato que
lhes permitiu produzir produtos como lenços
de papel em posições competitivas. Ao
mesmo tempo, essas empresas não divulgavam
publicitariamente que seus produtos
continham fibra reciclada porque os
consumidores no passado viam nisso uma
indicação de baixa qualidade. Atualmente,
ambas as empresas têm não só o apoio dos
consumidores mas também o fornecimento crescente
de sobras de papel pós-consumidas, especialmente
por programas de reciclagem em escritórios.
Como resultado, as duas empresas estão aumentando
suas fatias de mercado por meio do próprio
posicionamento como empresas que oferecem produtos
ambientalmente responsáveis (Biddle, 1993).
Tais exemplos podem representar uma possibilidade
de mudança no comportamento e nos paradigmas
da concorrência industrial e tratar a qualidade
ambiental como uma fonte potencial de rentabilidade
e vantagem competitiva. A indústria e
as atividades industriais têm íntima relação com
os problemas ambientais da sociedade moderna e
também com as soluções para a reversão do processo.
A indústria tem mostrado que, por meio da
tecnologia e da racionalização, pode melhorar a
eficiência em termos de uso dos recursos, substituir
recursos escassos e reduzir o desperdício.
Como exemplo, pode-se citar a Revolução da Qualidade,
inicialmente implementada pelas indústrias
japonesas e disseminada a partir da década de
70 por toda a indústria ocidental, que permitiu o
surgimento de sistemas de produção enxutos (lean
production), altamente produtivos. Também vale
mencionar os “choques do petróleo” das décadas
de 70 e 80, que elevaram os preços dos combustíveis
fósseis e levaram à busca e utilização de energias
alternativas, como o etanol produzido da canade-
açúcar e utilizado por automóveis brasileiros.
EMBORA A DIREÇÃO DA
PROTEÇÃO E DA
RESPONSABILIDADE
AMBIENTAIS PAREÇA
INEVITÁVEL NO CONTEXTO DE
MUDANÇAS DAS EMPRESAS
INDUSTRIAIS E FAVORÁVEL AOS
INTERESSES DOS NEGÓCIOS
PELAS MELHORIAS NA
COMPETITIVIDADE GLOBAL DA
EMPRESA, É AINDA UMA
PRÁTICA POUCO DIFUNDIDA.
84 RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Economia de Empresas
Trata-se de exemplos em que as indústrias foram
desafiadas a encontrar novas formas de lidar
com os problemas enfrentados. Atualmente, os desafios
envolvem problemas globais, tanto o da
crescente interdependência econômica mundial
quanto o da crescente interdependência ambiental.
A interdependência econômica é reconhecida
no processo de globalização e pelas profundas
mudanças nos mercados locais e internacionais
que esse processo acarreta. Por outro lado, evidencia-
se uma interdependência ambiental, embutida
nesse processo de globalização econômica,
adicionada a efeitos paralelos na forma de
danos ambientais globais, diretos e indiretos, das
atividades industriais, como o uso intensivo de
recursos e o esgotamento de recursos naturais, a
depreciação da camada de ozônio, a poluição, os
acidentes industriais, entre outros.
Independentemente da forma que uma empresa
industrial escolha realizar suas mudanças,
engajando-se em iniciativas conjuntas de autoregulação
ou agindo individualmente, as questões
ambientais colocam permanentemente novos
desafios à indústria que devem ser superados
para garantir o sucesso e a própria continuidade
dos negócios. Assim, faz-se necessária a
gestão adequada dos problemas ambientais, integrando-
a aos sistemas de gestão convencionais
e permitindo que a organização avance para uma
mais ampla aceitação dos conceitos e princípios
ambientais, no desenvolvimento de técnicas e
sistemas para capturar os impactos ambientais
de produtos e processos e no reconhecimento da
necessidade de uma reforma organizacional e
gerencial para atingir melhores desempenhos
ambientais.
O papel da alta administração é fundamental
para que as iniciativas e os esforços
da organização rumo à proteção e às responsabilidades
ambientais tenham sucesso. Nesse
sentido, novas abordagens têm surgido
para que empresas industriais proativas e
seus top-executivos reforcem um comprometimento
da organização com a melhoria
da qualidade do meio ambiente, como uma
declaração de princípios ambientais e um
plano estratégico ambiental, instrumentos
gerenciais que serão vistos a seguir.
INSTRUMENTOS GERENCIAIS DE
PROMOÇÃO DA PROTEÇÃO E
RESPONSABILIDADE AMBIENTAIS
Declaração de princípios ambientais
Os estudos realizados por Hunt e Auster
(1995), já citados, assim como os de North
(1992) quanto à integração da dimensão
ambiental na organização, constataram que,
freqüentemente, é a média gerência que tem
tomado as primeiras iniciativas quando a
empresa se defronta com problemas ambientais,
muitas vezes sem um apoio expresso
por parte dos níveis mais altos até
que uma certa maturidade no pensamento
ambiental da empresa tenha sido atingida.
No entanto, especialmente nos casos em
que a alta administração assume efetivamente
um comprometimento e apoio aos
esforços de melhoria da qualidade ambiental
dos processos e produtos da empresa é
que tais esforços são bem-sucedidos. Dessa
forma, o papel da alta administração é
fundamental para perceber e modificar a
sensibilização da organização quanto aos
problemas ambientais, seja no ambiente
externo da empresa, seja no interno.
O comprometimento da alta administração,
na maioria dos casos, é formalizado
mediante uma declaração de política corporativa,
expressa em palavras, que integra
as questões ambientais aos negócios da
empresa. O propósito dessa formalização é
não só divulgar o envolvimento na solução
de problemas ambientais à própria organização
mas também encorajar um compromisso
de toda a empresa, além de tornar pública
a decisão a outros grupos de interesses,
como governos, consumidores, investidores
e comunidades locais.
INDEPENDENTEMENTE
DA FORMA QUE UMA
EMPRESA INDUSTRIAL
ESCOLHA REALIZAR SUAS
MUDANÇAS, AS QUESTÕES
AMBIENTAIS COLOCAM
PERMANENTEMENTE NOVOS
DESAFIOS À INDÚSTRIA.
Gestão ambiental proativa
RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000 85
Não há um modelo definitivo dessa declaração,
mas algumas empresas adotam a
Carta de Princípios para o Desenvolvimento
Sustentável, da CIC, ou os Princípios Ceres,
ou ainda os Princípios do Programa Atuação
Responsável, especialmente se for do
setor químico, ou se espelham neles.
O conteúdo de uma declaração de princípios
ambientais não só menciona o comprometimento,
mas também estabelece as
metas básicas da empresa industrial em relação
à causa ambiental. Nesse sentido, a
maioria das declarações incluem a conformidade
a todas as regras e regulamentações
aplicáveis, assim como o comprometimento
de cada empregado em verificar se essa
conformidade é respeitada e assegurar que
as operações e os produtos possam ser desenvolvidos
de uma forma ambientalmente
segura. Isso porque o gerenciamento da
conformidade pode proteger uma empresa
de ações mais drásticas decorrentes das regulamentações
existentes.
Já uma abordagem mais proativa envolve
também o gerenciamento do risco, a
prevenção da poluição e a comunicação, o
que ajuda a organização a administrar as
políticas ambientais também para o futuro.
Mediante o gerenciamento do risco,
uma empresa industrial identifica danos
potenciais e assegura que as prioridades
estão sendo colocadas e os recursos,
alocados de acordo com a prioridade de
risco. Já a prevenção da poluição representa
a minimização ou eliminação da poluição
causada pela atividade industrial. A
comunicação é um mecanismo que partilha
a importância do sucesso ambiental da
empresa com todos os empregados e os
grupos de interesses.
Esses aspectos estão evidenciados na
Política de Meio Ambiente da Rhodia S.A.,
que declara (Rhodia, 1992):
• “ Minimizar a produção de efluentes
e resíduos, por meio de tecnologias
limpas e reciclagens: a redução de
efluentes e resíduos, por meio de tecnologias
limpas e processos de reciclagens,
constitui o ponto fundamental de nossa
política. A idéia básica: preferimos produzir
menos efluentes e resíduos e obter
melhores rendimentos, em vez de
suportar os custos de tratamento.
• Dominar as poluições acidentais: como responsáveis,
devemos desenvolver os instrumentos e
as medidas necessários para impedir que possam
ocorrer efeitos adversos ao meio ambiente devido
ao mau funcionamento de nossas instalações.
Isso é assegurado por meio de estudos de riscos,
que envolvem equipes multidisciplinares de engenheiros.
Tais estudos resultam em investimentos
que garantem a diminuição dos riscos existentes.
A prevenção de acidentes se faz por meio
de estudos de riscos, que levam à melhoria dos
processos de exploração, possibilitando a implementação
de planos de emergência e a formação
das pessoas envolvidas.
• Gerenciar com rigor a eliminação de
efluentes e resíduos: a gestão rigorosa da eliminação
de resíduos e de efluentes líquidos e
gasosos deve ser feita não somente em respeito
à legislação, mas utilizando a melhor tecnologia
disponível e economicamente compatível.
• Desenvolver e comercializar produtos com
um estrito respeito à saúde humana e ao meio
ambiente: o respeito à saúde humana e ao
ecossistema não é uma preocupação recente da
Rhodia. (...) Cada etapa de vida de um produto
– da concepção à destruição – deve considerar
a proteção ao meio ambiente.
• Desenvolver a comunicação interna e externa:
(...) Em relação ao público externo, e conforme
o conceito de ‘portas abertas’, enfatizamse
a maior integração das fábricas com as comunidades
vizinhas às suas instalações e a valorização
do diálogo com as autoridades, os órgãos
de controle ambiental e a imprensa. A
Rhodia dispõe de ferramentas de gestão – os
UMA ABORDAGEM MAIS
PROATIVA ENVOLVE TAMBÉM
O GERENCIAMENTO DO RISCO,
A PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E
A COMUNICAÇÃO, O QUE
AJUDA A ORGANIZAÇÃO A
ADMINISTRAR AS POLÍTICAS
AMBIENTAIS TAMBÉM
PARA O FUTURO.
86 RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Economia de Empresas
Índices de Meio Ambiente – que permitem uma
melhoria na comunicação interna de seus
objetivos e na comunicação com o público
externo.”
No entanto, uma declaração por si mesma não
é o suficiente. A fim de que a declaração não fique
só na formalidade, ela é traduzida para as políticas
e práticas da empresa, o que normalmente é
feito mediante a elaboração de um plano estratégico
ambiental.
Plano estratégico ambiental
Os planos ambientais estabelecem a política estratégica
da empresa diante dos imperativos ambientais,
determinando as metas a serem atingidas,
assim como as medidas a serem utilizadas para implementar
a estratégia, avaliar seu resultado e estabelecer
novos planos.
O conteúdo dos planos ambientais varia de empresa
para empresa, mas as que se voltam para os
princípios da sustentabilidade e responsabilidade
ambientais geralmente utilizam requisitos internos
ou metas até mais restritivos que os legalmente impostos,
adotando uma abordagem integrada das
questões ambientais em sua estratégia de negócios.
Alguns aspectos que normalmente são observados
nessa abordagem integrada são os seguintes:
• prioridade à saúde e segurança dos empregados,
dos consumidores e da comunidade;
• promoção de políticas que evitem os recursos
escassos, espécies em extinção e apoio a regimes
opressivos;
• influência direta da política ambiental nos processos
de fabricação, práticas de manutenção e
emissões;
• influência da política ambiental no projeto de produtos
e processos de formas diretas e explícitas;
• redução, reuso e reciclagem de materiais;
• monitoração e mensuração das emissões;
• redução do uso e de emissão de substâncias tóxicas;
• recuperação de produtos e embalagens após o
uso, para reuso e reciclagem;
• treinamento ambiental aos empregados;
• melhoria ambiental contínua;
• contabilidade de custos ambientais.
Ao elaborar seu plano ambiental, muitas empresas
sentem necessidade de quantificar seus objetivos
e medir seu desempenho ambiental. É o
caso da fábrica da Du Pont em Paulínia, SP, que se
comprometeu em reduzir em 30% o consumo de
água, mesmo não tendo custos com a água que
consome, a qual é retirada de um poço artesiano
instalado em sua própria planta (Gomes,
1996). As metas quantitativas servem
como incentivo para o esforço geral da organização
e são normalmente determinadas
dentro de parâmetros possíveis de serem
alcançados.
Para se implantar metas ambientais
como essa, as empresas precisam primeiramente
conhecer seu estado-atual-da-arte
no campo ambiental, seja quanto às exigências
dos grupos de interesses, seja
quanto aos seus impactos no meio ambiente.
Em seguida, necessitam planejar suas
ações e estabelecer um conjunto de práticas
e procedimentos que permita administrar
as relações empresa-meio ambiente,
monitorando suas atividades, corrigindo
problemas, implementando novas soluções,
avaliando riscos e adotando medidas
preventivas dentro da política e dos objetivos
determinados pelo plano estratégico
ambiental.
CONCLUSÃO
O setor industrial passa por um importante
período de transição e ajustes diante
dos imperativos ambientais, que inclui, de
um lado, o tratamento do meio ambiente
como uma questão estratégica e fonte potencial
de rentabilidade e vantagem competitiva
e, de outro, a busca de soluções
para os problemas ambientais, atuais e futuros.
As empresas industriais estão sendo
desafiadas a encontrar novas formas de organização
e administração da produção que
atendam às exigências ambientais e que representem
uma participação ativa do
empresariado no processo de mudanças de
comportamento necessário para que as expectativas
da sociedade relativas à melhoria
da qualidade de vida sejam atingidas.
Há uma área específica de problemática
referente à tecnologia como solução para
os ditames ambientais, mas verifica-se ainda
a necessidade de uma gestão adequada
de outras questões relacionadas ao meio
ambiente que permitam que uma organização
industrial e a própria sociedade avancem
rumo a uma mais ampla aceitação dos
conceitos e princípios ambientais. Essas
outras questões relacionam-se à possibilidade
de se conciliar a expansão econômica
Gestão ambiental proativa
RAE • v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000 87
e o avanço industrial e tecnológico com a
preservação ambiental, que evidenciam o
próprio conflito da sociedade atual, que é
o de aliar o crescimento à qualidade de vida,
de crescer sem destruir, de garantir a sua
futuridade.
De fato, no que se refere ao meio ambiente,
é exatamente o problema com o qual
a sociedade moderna se depara. Depois de
períodos de crescimento contínuo e explosivo,
de adoção de modelos de desenvolvimento
que viabilizassem o crescimento a
qualquer preço, especialmente nos países
HAMEL, Gary, PRAHALAD, C. K. Competindo
pelo futuro. Rio de Janeiro: Campus, 1995a.
HAMEL, Gary, PRAHALAD, C. K. Como se armar
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brasileiras: realidade ou discurso? RAE - Revista
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NOTAS
Este artigo foi produzido a partir da
Dissertação de Mestrado A evolução da
prática ambiental em empresas
industriais: algumas considerações sobre o
estado-atual-da-arte e o caso brasileiro,
apresentada à EAESP-FGV, sob a orientação
do Prof. Dr. José Carlos Barbieri e com apoio
em desenvolvimento, a sociedade hoje questiona o
preço pago por todo esse esforço. O meio ambiente
se tornou um elemento-chave para se repensar
os valores e as ideologias vigentes e se estabelecer
novas formas de pensamento e ação em todas
as práticas produtivas. O meio ambiente tem-se
tornado um elemento vital para se estabelecer os
novos paradigmas da concorrência industrial e,
por isso, aflora como importante questão para se
estabelecerem os rumos futuros dos mercados e
da sociedade, locais ou globais. Mesmo que soe
“piegas” falar sobre meio ambiente e proteção
ambiental. 
trabalhadores e cidadãos comuns norteamericanos
atacando as regras ambientais,
alegando questões de custos e de direitos.
Também os artigos de Walley e Whitehead
(1994a, 1994b, 1994c) defendem esse
posicionamento, acrescentando os efeitos
na competitividade industrial do país.
financeiro da Capes (Fundação Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior).
1. Essa postura é evidenciada em Cordtz
(1994). O autor apresenta fir

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Gestão Ambiental

É preciso qualificar para alferir uma boa gestão ambiental

A Gestão Ambiental é a administração do exercício de atividades econômicas e sociais de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais, renováveis ou não. A gestão ambiental deve visar o uso de práticas que garantam a conservação e preservação da biodiversidade, a reciclagem das matérias-primas e a redução do impacto ambiental das atividades humanas sobre os recursos naturais. Fazem parte também do arcabouço de conhecimentos associados à gestão ambiental técnicas para a recuperação de áreas degradadas, técnicas de reflorestamento, métodos para a exploração sustentável de recursos naturais, e o estudo de riscos e impactos ambientais para a avaliação de novos empreendimentos ou ampliação de atividades produtivas.
A prática da gestão ambiental introduz a variável ambiental no planejamento empresarial, e quando bem aplicada, permite a redução de custos diretos - pela diminuição do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos e mais dispendiosos, como água e energia - e de custos indiretos - representados por sanções e indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde de funcionários e da população de comunidades que tenham proximidade geográfica com as unidades de produção da empresa. Um exemplo prático de políticas para a inserção da gestão ambiental em empresas tem sido a criação de leis que obrigam a prática da responsabilidade pós-consumo.
À medida que a sociedade vai se conscientizando da necessidade de se preservar o meio ambiente, a opinião pública começa a pressionar o meio empresarial a buscar meios de desenvolver suas atividades econômicas de maneira mais racional.
O próprio mercado consumidor passa a selecionar os produtos que consome em função da responsabilidade social das empresas que os produzem. Desta forma, surgiram várias certificações, tais como as da família ISO 14.000, que atestam que uma determinada empresa executa suas atividades com base nos preceitos da gestão ambiental.
Em paralelo, o aumento da procura por profissionais especializados em técnicas de gestão ambiental motiva o surgimento de equipes multidisciplinar, e como tal procura fazer da parceria com diversos profissionais um exemplo de qualidade e competência cujo objetivo maior é orientar organizações Públicas e Privadas a planejar suas atividades de forma compatível com a legislação ambiental e com a preservação do meio ambiente, através de projetos ambientais, de controle de poluição, de tratamento de efluentes e resíduos, recuperação ambiental e diagnósticos ambientais.


Programa De Educação Ambiental
Educação Ambiental é a melhor forma de Interação com a Sociedade e de implemento das Ações institucional para a Conservação Ambiental da Bacia do Rio Siriri é parte integrante do meio antrópico que constitui o Projeto Básico Ambiental para a recuperação ambiental do rio.
Este Programa tem o objetivo de atender a legislação ambiental vigente e a política de meio ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID visando a melhoria e ampliação dos serviços públicos de água potável e saneamento de Rosario do Catete e áreas do entorno.
Os trabalhos devem ser conduzidos com vistas à recuperação e preservação dos cursos d’água da bacia, enfocando a importância do rio para os empreendimentos futuros dos meios produtivos e consumidores de água do rio Siriri, cuja finalidade básica é o abastecimento público da região. O referido programa será coordenado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos - SEMARH, através de convênio com a Saneamento de G - SANEAGO e executado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico do Centro-Oeste - ITCO.
Os demais agentes envolvidos no Programa são todos os municípios da bacia do rio João Leite: Anápolis, Goiânia, Goianápolis, Campo Limpo de Goiás, Nerópolis, Terezópolis de Goiás e Ouro Verde de Goiás.
Segue algumas das atividades desenvolvidas durante a execução do Programa D3 – Educação Ambiental: Cursos de Capacitação de Multiplicadores, Oficinas de Educação Ambiental; Palestras Informativas sobre a Barragem e o Reservatório do Rio João Leite; Participação em Eventos Diversos; Concurso de Redação; “APA do João Leite e o Futuro de Nossa Água” (475 redações); Campanha: ”Plante Árvores na APA João Leite e Combata o Aquecimento Global” (2.849 mudas plantadas), Seminários Temáticos e Jornadas Científicas.
Atuar na mudança sócio-ambiental para a sustentabilidade ambiental
Potencializar ações que diminuam os riscos ambientais que envolvam os ecossistemas, contribuindo na implementação de ações com soluções corretivas, preventivas e de conservação da qualidade ambiental.
Na atualidade registra-se um significativo interesse da sociedade com as questões ambientais. O alto nível de degradação ambiental aponta para o agravamento dos problemas sócio-ambientais, resultante da ocupação e usos desordenados do solo, da água e das florestas em decorrência da concentração de ações amtropicas como aumento das populações humanas ou animais.
Desenvolver metodologias e ações para mitigação dos graves problemas ambientais e preservação dos meios bióticos naturais, soluções tecnológicas, energéticas e de gestão ambiental nas esferas pública e privada, são premissas da Gestão Ambiental.
Para isso existem varias formas para atingir os objetivos como :seminários, palestras, encontros e curso on-line de Gestão Ambiental com a finalidade de contribuir com o desenvolvimento, a melhoria do meio ambiente na região, no município e no estado, na perspectiva de rever conceitos e costumes visando construir novas práticas sociais com ênfase na Gestão Ambiental, e qualidade dos recursos naturais.
O curso on-line de Gestão Ambiental tem como objetivo oportunizar a inserção de profissionais no mercado de trabalho, com foco nos fundamentos e no gerenciamento das questões ambientais. Intensificar a integração empresa-escola, apoiado em atividades com exemplos práticos e em situações reais do setor produtivo e de serviços, otimizando o uso dos recursos naturais.O tecnólogo em Gestão Ambiental poderá atuar na área de controle da qualidade ambiental, em órgãos governamentais e não governamentais (ONGs), indústrias, empresas de serviços, consultorias e prefeituras municipais, com competência e habilidades para o planejamento e desenvolvimento sustentável, com fundamentos na moderna tecnologia aplicada ao meio ambiente, implementando tecnologias limpas e novos modelos com vistas à melhoria da qualidade de vida, de saúde, de segurança e de manutenção da biosfera.

FILME SOBRE LULA

LULA um brasileiro
Junto da mãe e dos irmãos, ele deixou a pequena e pobre Guaranhuns, em Pernambuco, para tentar a vida em São Paulo. Trabalhou como ambulante, foi torneiro mecânico e, mais tarde, passou a liderar manifestações sindicais na região do ABC, na grande São Paulo. É com base nesta história, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que começaram, dia 19 de janeiro, as gravações das primeiras cenas do filme “Lula, o filho do Brasil”. Orçado em R$ 12 milhões, o longa é dirigido por Fábio Barreto e baseado em livro da historiadora Denise Paraná. As primeiras gravações aconteceram em Caetés, ex-distrito de Guaranhuns. A história começa com o nascimento do futuro presidente e termina antes de ele virar político. “O filme aborda até o momento em que ele se torna líder sindical, é preso e tem a permissão para sair e ir ao velório da mãe (1980)”, explica Barreto. “Lula, o filho do Brasil” terá como protagonista o ator de teatro Rui Ricardo Diaz, que foi chamado às pressas depois de o primeiro ator escolhido para viver o presidente ter abandonado as gravações por problemas de saúde. “Não tive Natal nem ano novo. A partir de dezembro, quando fui chamado, fiquei pesquisando sobre o Lula e estudando com o Luiz Pena, preparador de elenco, para atingir as emoções e viver com sinceridade a personagem”, comenta o ator. Para viver Lula, Diaz engordou 10 quilos, deixou a barba crescer e aprendeu a manter o dedo mínimo da mão esquerda para trás, preso por uma fita. “Não conheci o presidente, mas visitei os principais lugares onde Lula discursou, conversei com familiares e fiz até um curso rápido de torneiro mecânico como preparação para interpretar Lula”, conta. Há alguns dias, o ator reviveu o momento em que Lula foi preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão de repressão no período da ditadura militar. “Foi um dos momentos mais marcantes e difíceis de fazer”, afirma. Diaz será um dos um dos cinco “Lulas” que vão aparecer no filme. Além dele, interpretarão o mesmo papel um bebê de 3 meses, um garoto de 2 e outro de 7 anos, e um adolescente de 13. A atriz Cléo Pires, filha de Glória Pires (que será a mãe de Lula no cinema), foi escolhida para o papel de Lurdes, a primeira mulher de Lula. Já a primeira dama, Marisa Letícia, será interpretada por Juliana Baroni. As filmagens devem ir até o final de março e o filme deverá chegar ao Brasil em janeiro de 2010, após divulgação no exterior. “Temos convites para participar de festivais internacionais como o de Toronto (Canadá), o de Lima (Peru), o de Los Angeles (Estados Unidos) e o de Roma (Itália)”, lista o diretor. (F.G.)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

5 municipios detem 62,1% do pib sergipano

Dos 75 municípios sergipanos, apenas cinco respondem por 62,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em Sergipe, como revelou pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as capitais, Aracaju é a 13ª com um PIB per capita de R$ 10.071, o segundo maior PIB per capita das capitais do Nordeste, ficando atrás somente de Recife, com R$ 11.102. O economista e superintendente do Banco do Nordeste no Estado, Saumíneo Nascimento, diz que os números do IBGE mostram que em Sergipe ainda permanece uma concentração espacial de riqueza. No entendimento de Saumíneo Nascimento, Aracaju fica bem próximo do PIB per capita do país, atingindo um coeficiente de 0,9. 'Mas é importante lembrar que o PIB per capita é uma medida de tendência central, onde não se avalia a distribuição pontual específica, ou seja, a concentração de riqueza, que um grande desafio das políticas públicas', disse o economista.
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Fonte: Jornal da Cidade.Net

Favelas em municipios sergipanos

30 municípios sergipanos possuem favelas ou palafitas
Publicada no jornal da cidade: 13/12/2008
Texto: Edjane OliveiraTrinta municípios sergipanos declararam a presença de favelas, mocambos, palafitas ou assemelhados dentro de seu território, de acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic 2008), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa 40% dos municípios do Estado. O índice está acima do percentual de ocorrências na região Nordeste, que ficou em 32,7%. Além das cidades da Grande Aracaju, fazem parte da lista municípios como Carira, Cedro, Itabaiana, Estância, Japaratuba, Lagarto, Muribeca, Moita Bonita e Pedra Mole, entre outros. Apenas cinco municípios sergipanos possuem plano municipal de habitação: Carmópolis, Cristinápolis, Nossa Senhora do Socorro, Rosário do Catete e São Domingos, muito embora 15 cidades possuam Fundo Municipal de Habitação. A Munic também apontou que apenas cinco municípios não possuem cadastro ou levantamento de famílias interessadas em programas habitacionais. São eles: Divina Pastora, Graccho Cardoso, Lagarto, Maruim e Nossa Senhora da Glória. A pesquisa do IBGE constatou que, em 2008, 59 municípios, tiveram programas de construção de unidades habitacionais. Além de informações sobre infra-estrutura urbana, a Munic 2008 trouxe também informações sobre meio ambiente. Um dado alarmante da pesquisa é que 100% dos municípios sergipanos tiveram ocorrências impactantes observadas com freqüência no meio ambiente nos últimos 24 meses. Assoreamento de corpos d’água, desmatamentos e queimadas foram as ocorrências mais citadas. Apenas 40% das cidades de Sergipe possuem recursos específicos para a área ambiental. Transporte Os serviços de transporte também fizeram parte da pesquisa. Embora poucos municípios tenham o serviço de transporte por moto-táxi regulamentado por lei municipal, a pesquisa do IBGE Munic 2008 apontou que o serviço está presente em todos os 75 municípios sergipanos. Na maioria das cidades, o serviço é gerenciado de maneira informal, ou seja, são as próprias empresas ou cooperativas formadas que fiscalizam, determinam o número de linhas, o trajeto, número da frota, tarifas e aferição. Na capital, esse tipo de transporte vem crescendo e sendo usado com maior freqüência por pessoas que precisam se deslocar com maior rapidez. Já nas cidades do interior, que não contam com um sistema de transporte mais estruturado, os moto-táxis são o único, senão o mais viável, meio de transporte. Em Sergipe, de acordo com a pesquisa, apenas dez dos 75 municípios possuem serviço de transporte coletivo de ônibus

Encontro Popuar de Meio Ambiente

Encontro Popular de Meio Ambiente e Cidadania

Evento realizado pelo (MOPEC Sergipe )Movimento Popular Ecológico de Sergipe em parceria com a Universidade Federal de Sergipe.
CARGA HORÁRIA- 20 HORASFOR
Com NECIMENTO DE CERTIFICADO PELA UFS
Local: Escola Municipal Santo Antônio – Povoado Mata do Cipó- Siriri Sergipe
HORÁRIO: 8h às 18h. Contato email mopec_se@yahoo.com.br
PROGRAMAÇÃO
I. HISTÓRICO DA POPULAR AMBIENTAL EM SERGIPE
PRINCIAPAIS ATORES E MOVIMENTOSI-
CONCEITOS E IMPORTANCIA DA LUTA AMBIENTAL
ORGANIZAÇÃO

MOPEC
APOIO : ufs
Mata Atlântica e Pampa » Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11428 de 2006
Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006

A Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006 remeteu ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a elaboração do Mapa delimitando as formações florestais e ecossistemas associados que integram a Mata Atlântica.
O Decreto nº 6.660, de 21 de novembro de 2008, estabeleceu que o "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", contempla a configuração original das seguintes formações florestais nativas e ecossistemas associados: Floresta Ombrófila Densa; Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias; Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; Floresta Estacional Decidual; campos de altitude; áreas das formações pioneiras, conhecidas como manguezais, restingas, campos salinos e áreas aluviais; refúgios vegetacionais; áreas de tensão ecológica; brejos de altitude interioranos e encraves florestais, representados por disjunções de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual; áreas de estepe, savana e savana-estépica; e vegetação nativa das ilhas costeiras e oceânicas.
O Decreto também determinou que o "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", será disponibilizado nos sítios eletrônicos do Ministério do Meio Ambiente e do IBGE e de forma impressa.
Em atendimento ao disposto nas normas legais o IBGE elaborou o "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", na escala 1:5.000.000, tendo como base técnica o Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE, 2004) e o Mapa de Biomas do Brasil, primeira aproximação (IBGE, 2004).
O "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", projeta a cobertura vegetal conforme sua configuração original, apresentando a distribuição das suas distintas tipologias, passando a ser um instrumento balizador da aplicação da Lei nº 11.428, de 2006 e seus regulamentos.
Destaca-se que somente os remanescentes de vegetação nativa primária e vegetação nativa secundária nos estágios inicial, médio e avançado de regeneração na área abrangida pelo "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", tem seu uso e conservação regulados pela Lei nº 11.428/06, de 2006 e pelo Decreto nº 6.660, de 2008. Neste sentido, o IBGE esclarece que a localização dos remanescentes de vegetação nativa das diferentes tipologias vegetais e a identificação dos seus respectivos estágios sucessionais deverá ser feita com a observância do disposto no Art. 4º da Lei nº 11.428, de 2006, bem como, do disposto no Decreto nº 6.660, de 2008, e nas Resoluções do CONAMA que definem os parâmetros técnicos para identificação da vegetação primária e da vegetação secundária nos estágios inicial, médio e avançado regeneração.
Informações sobre a aplicação da Lei nº 11.428/06, do Decreto nº 6.660/08, e das Resoluções do CONAMA, em relação a autorizações para intervenção ou supressão de vegetação nativa devem ser buscadas junto aos órgãos competentes do SISNAMA, responsáveis pelos licenciamentos ou autorizações.

Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006 (PDF)
Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006 (Shape)

A Mata Atlântica tem legislação específica
É de conhecimento de todos que as formações florestais e ecossistemas associados que integram a Mata Atlântica, são os mais ameaçados de destruição do Brasil. Estudos recentes do Ministério do Meio Ambiente apontam a existência de apenas 26,97% de áreas remanescentes com cobertura vegetal nativa no bioma Mata Atlântica, em relação à sua área original, incluindo todos os remanescentes primários e secundários de florestas e dos ecossistemas associados, como os campos naturais, restingas e manguezais.
Dados da Fundação SOS Mata Atlântica e INPE indicam que apenas 7% do que resta de Mata Atlântica são florestas primárias ou em estágio avançado de regeneração, bem conservadas e com áreas acima de 100 hectares. A SOS/INPE também mostram que o desmatamento na Mata Atlântica teve uma redução de mais de 70% nos últimos 5 anos, mesmo assim em algumas regiões ainda ocorrem desmatamentos injustificados.
Não podemos esquecer que a qualidade de vida de aproximadamente 110 milhões de brasileiros depende dos serviços ambientais prestados pelos remanescentes de Mata Atlântica, quer na proteção e manutenção de nascentes e fontes de água que abastecem as cidades e comunidades, na regulação do clima, da temperatura, da umidade e das chuvas, como também ao assegurar a fertilidade do solo, garantindo a produtividade das nossas lavouras, e protegendo escarpas e encostas de morros dos processos erosivos e deslizamentos.
A aprovação pelo Congresso Nacional da Lei nº 11.428 de 22.12.2006, após 14 anos de tramitação, foi um grande passo para a conservação dos remanescentes da Mata Atlântica, um Patrimônio Nacional assim reconhecido pela Constituição Federal e que abrange total ou parcialmente 17 Estados brasileiros.
O Decreto no 6.660, de 21 de novembro de 2008 fortalece a legislação sobre conservação, proteção, regeneração e utilização sustentável da vegetação nativa da Mata Atlântica ao estabelecer "o que", "como" e "onde" pode haver intervenção ou uso sustentável da Mata Atlântica.
O Decreto também detalha os tipos de vegetação protegidos pela Lei da Mata Atlântica os quais estão delimitados no "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", elaborado pelo IBGE, a ser disponibilizado nos sítios eletrônicos do MMA e do IBGE e de forma impressa.
O Decreto permitirá que a grande parcela da população brasileira que vive na Mata Atlântica, concilie o desenvolvimento socioeconômico com a necessária conservação do que restou deste conjunto de formações florestais e ecossistemas associados, que ainda guarda um dos maiores índices de diversidade de plantas e animais do planeta. O Decreto também vai contribuir para alcançarmos o "desmatamento ilegal zero" na Mata Atlântica.
O Decreto estabelece procedimentos simplificados para o uso sustentável da vegetação nativa da Mata Atlântica para pequenos produtores rurais e população tradicional e os requisitos mínimos necessários para a coleta de subprodutos como folhas, frutos e sementes, manutenção da prática do pousio e até mesmo da exploração de espécies arbóreas pioneiras, tudo em perfeita harmonia com a determinação constitucional de se promover a proteção e o uso sustentável dos recursos naturais.
O Decreto estimula o plantio de espécies nativas para recuperação de áreas já desmatadas e também para a produção de matéria prima florestal para uso econômico.
O Decreto estabelece os requisitos mínimos que deverão orientar a elaboração dos PLANOS MUNICIPAIS DE CONSERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA, com o objetivo de estimular e ampliar o envolvimento dos municípios na conservação e recuperação da Mata Atlântica. A Lei nº 11.428, de 2006 e o Decreto nº 6.660, de 2008, procuram proteger efetivamente o que restou da Mata Atlântica ao estabelecer que quaisquer novos empreendimentos na região abrangida, sejam preferencialmente implementados em áreas já substancialmente alteradas ou degradadas. Destacamos que o regime jurídico da Lei e deste Decreto somente se aplica aos remanescentes de vegetação nativa, não interferindo em áreas já ocupadas legalmente com agricultura, cidades, pastagens e florestas plantadas ou outras áreas desprovidas de vegetação nativa.
Uma grande diversidade de animais e plantas depende do que restou da Mata Atlântica para sobreviver. Atualmente apenas cerca de 6% da área da Mata Atlântica estão protegidos em Unidades de Conservação da Natureza, dos quais apenas 2% são Unidades de Conservação de proteção integral e 4% de uso sustentável. Este baixo percentual de Unidades de Conservação é hoje uma das principais lacunas para a conservação da Mata Atlântica, no longo prazo.
Nos últimos 5 anos o bioma mata atlantica foi ampliado em mais de 350.000 hectares a área da Mata Atlântica protegidas em Unidades de Conservação, incluindo as ameaçadas florestas com araucárias no Paraná e Santa Catarina, assim como manguezais, restingas e florestas no sul da Bahia. O Decreto amplia esta proteção, notadamente para as diversas espécies da Mata Atlântica hoje reconhecidas como ameaçadas de extinção.