Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) 2000
Município
UF
Esperança de vida ao nascer
Taxa de alfabe-tização de adultos
Taxa bruta de frequência escolar
Renda per capita
Índice de esperança de vida (IDHM-L)
Índice de educação (IDHM-E)
Índice de PIB (IDHM-R)
Índice de Des. Humano Municipal (IDH-M)
Ranking por UF
Ranking Nacional
Aracaju
SE
68,720
0,894
0,914
352,735
0,729
0,901
0,752
0,794
1
708
São Cristóvão
SE
66,671
0,809
0,851
128,064
0,695
0,823
0,583
0,700
2
2989
Nossa Senhora do Socorro
SE
66,671
0,844
0,805
114,076
0,695
0,831
0,563
0,696
3
3054
Cedro de São João
SE
68,330
0,768
0,800
105,686
0,722
0,779
0,551
0,684
4
3249
Itabaiana
SE
67,900
0,729
0,725
134,907
0,715
0,728
0,591
0,678
5
3331
Barra dos Coqueiros
SE
62,873
0,792
0,871
124,349
0,631
0,818
0,578
0,676
6
3359
Carmópolis
SE
64,984
0,773
0,856
112,162
0,666
0,800
0,561
0,676
7
3360
Estância
SE
63,653
0,769
0,847
123,675
0,644
0,795
0,577
0,672
8
3427
Rosário do Catete
SE
62,605
0,785
0,916
110,958
0,627
0,829
0,559
0,671
9
3436
General Maynard
SE
66,671
0,737
0,895
93,306
0,695
0,789
0,530
0,671
10
3441
Riachuelo
SE
66,671
0,758
0,878
88,345
0,695
0,798
0,521
0,671
11
3444
Moita Bonita
SE
70,326
0,703
0,715
90,614
0,755
0,707
0,525
0,662
12
3569
Maruim
SE
64,558
0,769
0,844
94,584
0,659
0,794
0,532
0,662
13
3577
Campo do Brito
SE
69,768
0,658
0,731
108,923
0,746
0,682
0,556
0,661
14
3586
Ribeirópolis
SE
65,135
0,701
0,801
114,657
0,669
0,734
0,564
0,656
15
3672
Santo Amaro das Brotas
SE
65,163
0,740
0,845
88,364
0,669
0,775
0,521
0,655
16
3687
Divina Pastora
SE
64,701
0,748
0,887
81,891
0,662
0,795
0,508
0,655
17
3696
Propriá
SE
61,353
0,759
0,756
137,060
0,606
0,758
0,594
0,653
18
3735
Japaratuba
SE
63,786
0,746
0,821
97,554
0,646
0,771
0,537
0,652
19
3752
Pirambu
SE
63,786
0,726
0,811
107,621
0,646
0,755
0,554
0,652
20
3753
Macambira
SE
67,307
0,694
0,780
87,399
0,705
0,723
0,519
0,649
21
3790
Frei Paulo
SE
65,831
0,654
0,750
120,312
0,681
0,686
0,572
0,646
22
3829
Siriri
SE
64,701
0,708
0,846
87,922
0,662
0,754
0,520
0,645
23
3845
Areia Branca
SE
68,124
0,681
0,710
89,062
0,719
0,691
0,522
0,644
24
3858
Laranjeiras
SE
62,661
0,748
0,836
87,628
0,628
0,778
0,519
0,642
25
3898
Cumbe
SE
64,717
0,720
0,826
76,175
0,662
0,755
0,496
0,638
26
3974
Itaporanga d'Ajuda
SE
65,971
0,666
0,812
85,153
0,683
0,715
0,515
0,637
27
3978
Nossa Senhora das Dores
SE
64,537
0,679
0,799
95,056
0,659
0,719
0,533
0,637
28
3990
Boquim
SE
62,231
0,723
0,796
95,191
0,621
0,747
0,533
0,634
29
4048
Nossa Senhora da Glória
SE
62,171
0,678
0,789
109,970
0,620
0,715
0,557
0,631
30
4117
São Francisco
SE
63,786
0,667
0,789
95,781
0,646
0,708
0,534
0,629
31
4140
Malhada dos Bois
SE
64,461
0,699
0,775
80,685
0,658
0,725
0,506
0,629
32
4141
Santa Rosa de Lima
SE
64,701
0,656
0,877
74,692
0,662
0,730
0,493
0,628
33
4169
Itabi
SE
66,054
0,622
0,773
84,226
0,684
0,672
0,513
0,623
34
4252
Neópolis
SE
61,790
0,674
0,803
95,731
0,613
0,717
0,534
0,622
35
4275
Arauá
SE
60,458
0,673
0,854
98,087
0,591
0,734
0,538
0,621
36
4284
Pedra Mole
SE
62,711
0,650
0,786
97,367
0,629
0,695
0,537
0,620
37
4299
Feira Nova
SE
65,858
0,648
0,798
69,377
0,681
0,698
0,480
0,620
38
4305
Malhador
SE
60,999
0,701
0,767
94,252
0,600
0,723
0,532
0,618
39
4344
Capela
SE
62,740
0,666
0,818
78,277
0,629
0,716
0,501
0,615
40
4389
Lagarto
SE
60,016
0,689
0,727
109,626
0,584
0,702
0,557
0,614
41
4408
Salgado
SE
60,739
0,679
0,801
86,924
0,596
0,720
0,518
0,611
42
4461
São Miguel do Aleixo
SE
64,537
0,627
0,795
70,397
0,659
0,683
0,483
0,608
43
4517
Indiaroba
SE
63,653
0,628
0,832
67,708
0,644
0,696
0,476
0,606
44
4561
Aquidabã
SE
61,550
0,633
0,786
89,578
0,609
0,684
0,523
0,605
45
4564
Japoatã
SE
63,786
0,631
0,770
73,395
0,646
0,677
0,490
0,604
46
4588
Amparo de São Francisco
SE
59,057
0,692
0,796
82,635
0,568
0,727
0,510
0,601
47
4634
Pedrinhas
SE
58,789
0,667
0,836
86,372
0,563
0,723
0,517
0,601
48
4635
Telha
SE
59,909
0,681
0,766
83,919
0,582
0,709
0,512
0,601
49
4638
Umbaúba
SE
60,458
0,661
0,746
89,326
0,591
0,689
0,523
0,601
50
4643
Pinhão
SE
62,297
0,616
0,737
88,346
0,622
0,656
0,521
0,600
51
4669
Muribeca
SE
57,126
0,689
0,881
79,292
0,535
0,753
0,503
0,597
52
4710
Poço Verde
SE
59,367
0,668
0,785
83,312
0,573
0,707
0,511
0,597
53
4713
Canhoba
SE
62,171
0,646
0,793
67,062
0,620
0,695
0,475
0,596
54
4723
Tobias Barreto
SE
59,367
0,653
0,712
100,977
0,573
0,673
0,543
0,596
55
4730
São Domingos
SE
60,999
0,646
0,733
81,200
0,600
0,675
0,507
0,594
56
4773
Gracho Cardoso
SE
59,057
0,673
0,782
80,456
0,568
0,709
0,505
0,594
57
4774
Simão Dias
SE
59,367
0,670
0,710
86,508
0,573
0,683
0,517
0,591
58
4829
Itabaianinha
SE
60,458
0,637
0,708
86,823
0,591
0,661
0,518
0,590
59
4843
Ilha das Flores
SE
58,054
0,680
0,808
68,578
0,551
0,723
0,478
0,584
60
4914
Pacatuba
SE
63,786
0,610
0,780
53,866
0,646
0,667
0,438
0,584
61
4919
Nossa Senhora de Lourdes
SE
58,054
0,646
0,814
75,495
0,551
0,702
0,495
0,583
62
4933
Carira
SE
60,016
0,587
0,727
90,251
0,584
0,634
0,524
0,581
63
4968
Canindé de São Francisco
SE
60,024
0,574
0,736
91,647
0,584
0,628
0,527
0,580
64
4992
Santana do São Francisco
SE
58,054
0,656
0,795
70,084
0,551
0,703
0,482
0,579
65
5009
Cristinápolis
SE
60,086
0,567
0,755
86,371
0,585
0,630
0,517
0,577
66
5020
Gararu
SE
60,263
0,603
0,752
67,673
0,588
0,653
0,476
0,572
67
5081
Monte Alegre de Sergipe
SE
58,007
0,604
0,782
73,376
0,550
0,663
0,490
0,568
68
5144
Nossa Senhora Aparecida
SE
60,443
0,579
0,699
73,385
0,591
0,619
0,490
0,566
69
5161
Tomar do Geru
SE
59,476
0,616
0,749
59,003
0,575
0,660
0,453
0,563
70
5194
Riachão do Dantas
SE
58,722
0,586
0,740
64,378
0,562
0,637
0,468
0,556
71
5262
Porto da Folha
SE
56,795
0,631
0,784
59,540
0,530
0,682
0,455
0,556
72
5263
Brejo Grande
SE
56,542
0,619
0,763
59,827
0,526
0,667
0,456
0,550
73
5308
Santa Luzia do Itanhy
SE
58,641
0,539
0,800
57,141
0,561
0,626
0,448
0,545
74
5345
Poço Redondo
SE
58,933
0,543
0,793
46,871
0,566
0,626
0,415
0,536
75
5394
Fonte: ONU
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Dados Gerais sobre Sergipe
O Estado de Sergipe fica na região nordeste do Brasil, e ocupa uma área de 21.910,348 Km2, na qual vivem cerca de 1,9 milhão de pessoas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um dos melhores do nordeste com 0,742, considerado médio em desenvolvimento humano. O estado apresenta uma expectativa de vida de 70, 3 anos e possui um dos maiores índices de mortalidade infantil ( 35/ mil nasc). Etnicamente, a população do Estado de Sergipe é constituída por brancos (30%), pardos (63%) e negros (5%). Abaixo, alguns itens que evidenciam o poder de compra e o nível de consumo da população, além dos serviços básicos: Domicílios com acesso à rede de esgoto: 29,03%. Domicílios com acesso à fossa séptica: 42,87%. Domicílios com acesso à coleta de lixo (direta): 76,48%. Domicílios com acesso à coleta de lixo (indireta): 7,36%. Domicílios com acesso à rede elétrica: 98,44%. Domicílios com acesso à rede telefônica: 75,67%. Existência de bens duráveis nos domicílios. Fogão: 97,91%. Filtro de água: 45,65%. Geladeira: 85,75%. Freezer: 7,30%. Máquina de lavar roupas: 16,22%. Rádio: 83,89%. Televisores: 93,74%. Computador: 16,34%. Computador com acesso à internet: 12,27%. Domicílios que não possuem internet: 83,12%.
Dados do IBGE sobre Sergipe
DADOS GERAIS:
Capital: Aracajú Região: NordesteSigla: NE Gentílico: sergipano - População: 1.967.791 (estimativa de 2005)Área (em km²): 21.910,348 - Densidade Demográfica (habitantes por km²): 81,46Quantidade de municípios: 75 DADOS ECONÔMICOS E SOCIAIS
Produto Interno Bruto (PIB)*: R$ 11.704.013.000,00 (2003)Renda Per Capita*: R$ 6.782 (2003)Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,682 (PNUD - 2000)Principais Atividades Econômicas: agricultura, pecuária, extrativismo (petróleo e gás natural)Mortalidade Infantil (antes de completar 1 ano): 40,6 por mil (em 2000*)Analfabetismo:10% (2000)Espectativa de vida (anos): 70,3 (2000)
PONTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS
- Praia de Atalaia- Praia de Pirambu- Cidade Histórica de São Cristovão- Cidade Histórica de Laranjeiras- Passeios de barco no Rio São Francisco- Mercado Antônio Franco- Praça Fausto Cardoso- Palácio Olímpio Campos- Ponte do Imperador , bairro 13 de julho, Colina de Santo Antônio, Mercado Central de Aaracaju, feira de Nossa Senhora da Gloria, Praia do saco, Pantanal Sergipano no Litoral norte, mata do jundo em Capela, e gruta do anjico em poço redendo.
GEOGRAFIA
Etnias: brancos (30%), negros (5%), pardos (63%)Rios importantes: Rio São Francisco, Sergipe, Vaza-Barris, Japaratuba, Real e Piauí.Principais cidades: Aracaju, Lagarto, Estância e Itabaiana. Clima: tropical (litoral) e semi-árido (interior) OUTRAS INFORMAÇÕES
- Site Oficial do Estado
* Fonte IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Capital: Aracajú Região: NordesteSigla: NE Gentílico: sergipano - População: 1.967.791 (estimativa de 2005)Área (em km²): 21.910,348 - Densidade Demográfica (habitantes por km²): 81,46Quantidade de municípios: 75 DADOS ECONÔMICOS E SOCIAIS
Produto Interno Bruto (PIB)*: R$ 11.704.013.000,00 (2003)Renda Per Capita*: R$ 6.782 (2003)Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,682 (PNUD - 2000)Principais Atividades Econômicas: agricultura, pecuária, extrativismo (petróleo e gás natural)Mortalidade Infantil (antes de completar 1 ano): 40,6 por mil (em 2000*)Analfabetismo:10% (2000)Espectativa de vida (anos): 70,3 (2000)
PONTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS
- Praia de Atalaia- Praia de Pirambu- Cidade Histórica de São Cristovão- Cidade Histórica de Laranjeiras- Passeios de barco no Rio São Francisco- Mercado Antônio Franco- Praça Fausto Cardoso- Palácio Olímpio Campos- Ponte do Imperador , bairro 13 de julho, Colina de Santo Antônio, Mercado Central de Aaracaju, feira de Nossa Senhora da Gloria, Praia do saco, Pantanal Sergipano no Litoral norte, mata do jundo em Capela, e gruta do anjico em poço redendo.
GEOGRAFIA
Etnias: brancos (30%), negros (5%), pardos (63%)Rios importantes: Rio São Francisco, Sergipe, Vaza-Barris, Japaratuba, Real e Piauí.Principais cidades: Aracaju, Lagarto, Estância e Itabaiana. Clima: tropical (litoral) e semi-árido (interior) OUTRAS INFORMAÇÕES
- Site Oficial do Estado
* Fonte IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
municipio de capela Sergipe
O município de Capela está localizado no Território Leste do Estado de Sergipe, sendo formado por 9 municípios: Capela, Carmópolis,
Divina Pastora, General Maynard, Japaratuba, Pirambu, Rosário do Catete, Santa Rosa de Lima e Siriri, população de
91.779 hab. e área de 1.474,10 km²
Dados sobre o município de Capela
População: 27.913 habitantesHomens: 13.737Mulheres: 14.176Área Total: 431,0 km²Dens. Demográfica: 64,76 hab/km² Altitude: 162 mDDD: 79CEP: 49700-00
História do município de Capela
Quando, do surgimento do município, em princípios do século XVIII, o capitão Luís de Andrade Pacheco e sua mulher, Perpétua de Matos França, fixaram residência em terras situadas entre o rio Japaratuba e a localidade de Coité, já os tupinambás as haviam abandonado, tangidos pela proximidade do homem branco. O sentimento religioso do casal determinou a doação, por escritura lavrada no tabelionato de Santo Amaro das Brotas, da quantia de cem mil réis, destinada à construção de uma capela sob o orago de N. S.ª da Purificação, no sítio denominado Tabuleiro da Cruz, em 1735. Dois anos depois, estava a capela construída. A freqüência de missas e de festejos promovidos pelo padre Luís de Andrade Pacheco, filho dos doadores, atraiu moradores circunvizinhos, que construíram novas casas e ranchos nas proximidades.O plantio do algodão, a cultura da cana e o açúcar fomentaram o comércio e expandiram a localidade.No princípio do corrente século, o progresso do Município marchava mais vivo com a mecanização de sua indústria açucareira, datando de 1914 a primeira usina de açúcar cristal. Em 1915, o ramal ferroviário Murta-Capela ligou-o aos municípios servidos pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro, inclusive às capitais Aracaju e Salvador, o que, sem dúvida, Ihe propiciou notável desenvolvimento.O distrito deve sua criação ao Alvará de 9 de fevereiro de 1813.Em virtude da Resolução do Conselho do Govêrno, aprovada pela Lei provincial de 19 de fevereiro de 1835, criou-se o Município, sob a denominação de N. S.ª da Purificação da Capela, com território desmembrado do Têrmo da Vila de Santo Amaro das Brotas.Formação Administrativa:A Lei n.° 1.331, de 28 de agôsto de 1888, concedeu à sede municipal foros de cidade. Até 1954, era composto de um só distrito, quando sofreu reformulação administrativa, pela Lei n.° 554, de 6 de fevereiro, passando a 4: Capela (sede), Barracas, Miranda e Pedras. Atualmente conserva tal composição.
Lampião em Capela
Assim como outras cidades da região, Capela foi visitada por Lampião na época do cangaço.Lampião esteve em Capela por duas vezes. Na primeira, em 24 de outubro de 1929, mandou chamar o prefeito Antão Correia de Andrade para que entrasse na cidade com ele. Virgulino passou no telégrafo e depois foi ao Cine-Teatro Capela. Filme mudo e orquestra tocando. Depois que Lampião entrou, as luzes se acenderam e o povo começou a querer sair. "Daqui ninguém sai e quem correr vê o gosto da bala atrás", teria dito Lampião. O juiz correu, conseguiu pular o muro e se escondeu num convento.O filme era Anjos das Ruas, de Janet Gaynor. Lampião mandou que a luz fosse apagada e que o filme continuasse. Disse ao jornalista Zózimo Lima que nenhuma notícia dele era para ser dada. Lampião não gostou do filme e saiu. Ele teria pedido ao prefeito 20 mil contos de réis, mas Antão só tinha 5 e ele aceitou.Em seguida, Lampião e o bando foram a uma pensão e lá almoçaram. A turma foi para a Estação de Trem à espera de soldados que vinham da Bahia. Mas nada de soldados. Depois de receber o dinheiro, de fazer algumas compras e pagar e de ganhar um livro sobre a vida de Jesus, Lampião reuniu o bando e foi embora.Em outubro de 1931, Lampião e o bando voltam a Capela. Fazem alguns reféns nas fazendas e manda o irmão do vigário informar que entraria de novo na cidade. O recado foi dado, mas desta vez um grande grupo de moradores (inclusive mulheres) se organizou, armou-se e ficou escondido nas torres da igreja. Lampião achou demorado o recado, entra na cidade e é recebido com chumbo.Fazendo referência aos tiros que vinham das torres da igreja de Nossa Senhora da Purificação, Lampião teria dito: "Vamos embora que nesta cidade até os santos atiram". Virgulino ficou nos arredores da cidade e teria praticado uma série de crimes. O Jornal da Tarde, de São Paulo, em 30 de julho de 1973, conta as histórias de Lampião em Capela.
O município de Capela está localizado na região nordeste do Estado de Sergipe,limitando-se a norte com o município de Aquidabã, a oeste com Siriri, Nossa Senhora das Dores e Cumbe, a sul com Rosário do Catete e a leste com Muribeca e Japaratuba
O CLIMA
O clima do município é do tipo megatérmico seco e sub-úmido, com temperatura média no ano de 24,9oC, precipitação pluviométrica média anual de 1.372mm e período chuvoso de março a agosto.
O RELEVO
O relevo é dissecado, predominando as formas de tabuleiros, colinas e cristas,com aprofundamento da drenagem de muito fraca a fraca.
O SOLO
Os solos são Podzólicos vermelho amarelo equivalente Eutróficos, Escuro, Latosol vermelho amarelo e Aluviais Eutróficos e Distróficos.
Lendas
Lenda da Bica - Os índios das tribos Tupã e Tupinambá eram inimigos. O cacique dos Tupã tinha uma linda filha, Bica, que se apaixonou pelo filho do cacique Tupinambá, o Beca. Um amor proibido, impossível. Um dia, os dois jovens índios foram flagrados pelo pai de Bica. Beca e Bica foram mortos e no lugar onde isso aconteceu nasceram minadores de água límpida. Acredita-se que a água sejam as lágrimas dos índios assassinados.Lenda da Igreja do Amparo - Acredita-se que do Cruzeiro até os fundos da Igreja Nossa Senhora do Amparo, à meia-noite, se alguém colocar o ouvido no chão ouve barulho forte de água corrente. Uns acreditam ser uma "perna" do Rio São Francisco.
O turismo
Festa do Mastro - Ela surgiu em 1939 por iniciativa de João Nelson de Melo. No dia 29 de junho, junto com seus irmãos e amigos, fez uma festa simples na Rua da Palmeira. Os anos passavam e a festa crescia. No noite de 31 de maio, o grupo folclórico da Sarandaia sai pelas ruas para acordar São João e pedem prêmios para serem pendurados num mastro que será arrancado na festa de São Pedro. No dia 28 de junho um homem vestido de baiana também sai pelas ruas pedindo prêmios para colocar no mastro. No dia 29, pela manhã, a multidão sai para a mata atrás de uma grande árvore. A madeira é cortada e levada num cortejo para a cidade. A lama é ingrediente básico da festa. À noite tem a queima do mastro, que tomba e os prêmios são coletados. Nesse momento tem o Grito da Vitória e a guerra de busca-pés. Também é bastante comemorada a festa da padroeira nossa senhora da purificação, que costumeiramente celebra-se no dia 2 de fiteiro quando a população sai ás ruas da cidade em procissão a virgem da purificação e todos os santos da igreja matriz.
Atualmente, Capela é famosa pela sua festa de São Pedro, onde centenas de foliões buscam nas matas próximas à cidade e erguem numa das praças um "mastro", árvore escolhida para levar em seus galhos superiores prêmios que serão posteriormente disputados em meio a uma "guerra" de rojões. Estes prêmios são ofertados pelo comércio local, sendo captados no evento conhecido como "Sarandaia", que ocorre no 1º dia do mês de junho, quando um habitante local, travestido de "baiana", passa de porta em porta acompanhado por banda de pífanos e foliões. Ao cair da noite, uma imensa fogueira é acessa aos pés do mastro e, enquanto este queima, é travada uma guerra de "espadas", "busca-pés" e "limalhas", todos derivações de rojões. Assim que o mastro cai os "combatentes" se lançam sobre ele à cata dos tais prêmios.
Também se pratica o turismo ecológico com passeios, banhos e visitação pública para a mata o junco (refugio de vida silvestre) e à bica onde se faz muita farra e toma-se banho.
Filhos ilustres
Capela é também famosa pelos filhos que lá nasceram:
Adroaldo Campos (Dudu da Capela) - Foi um dos maiores advogados de Capela;
Antão Correia de Andrade - Fundou o jornal “A Voz da Capela” e a Casa do Livro;
Augusto Ribeiro - Proprietário de uma fábrica de sabão. Foi dono do primeiro posto de gasolina;
Cônego José da Mota Cabral - Foi vigário de Capela durante 50 anos;
Dioclécio Gomes de Andrade - Grande comerciante de tecidos;
Edélzio Vieira de Melo - Médico, professor, líder político, prefeito, deputado estadual e vice-governador;
Francisco Alves de Carvalho Júnior (mestre Francisquinho) - Fundador da Filarmônica “Lira Nossa Senhora da Purificação”;
Francisco Vieira de Andrade - Juiz de Direito durante 25 anos e dono da primeira usina de açúcar do município, a Proveito;
Honorino Leal - Juiz de Paz. Foi Agente da Borracha e delegado de polícia;
Major da Guarda Nacional - Vereador e intendente. Foi deputado estadual por seis legislaturas;
José Cabral Neto - Promotor de Justiça e fundador da Fábrica de Sabão Caçote;
José Luiz Coelho e Campos - Primeiro promotor público de Capela. Foi deputado federal e senador. Quando ocupava o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal conseguiu levar para Capela a estrada de ferro. Doou o prédio de sua residência para ser transformado numa escola, que recebeu seu nome;
Maria Cecília de Oliveira - Foi a primeira e única a receber o título de Miss Capela, além de ter sido a primeira vencedora do concurso da Rainha do São Pedro. Ela foi patrocinada pela "Casa do Disco".
Manoel Raimundo de Melo - Ordenou-se sacerdote e foi vigário de Itabaiana;
Comendador Manoel de Souza Campos - Comerciante e banqueiro. Foi agraciado pelo imperador D. Pedro II com o oficialato da Imperial Ordem da Rosa e com a comenda da Imperial Ordem de Cristo, por ter libertado todos os seus escravos;
Léa Maria Lima Santos - declamadora de poemas famosa no estado do Sergipe.
E mais: Irmã Maria Clemência da Costa Lima, Juarez de Oliveira Leal, Moacyr Carvalho, Manoel Cardoso Souza, Manoel Gomes Moura, Maria da Glória da Mota Cabral, Maria de Jesus Almeida, Maria Rosa de Jesus Mota, Mestre Olívio, Monsenhor Eraldo Barbosa, Odilon Ferreira Machado, Otaviano da Mota Cabral, Otávio Teles de Almeida, Raul Dantas Vieira, Ariovaldo Barreto, Carlos Figueiredo Cabral, Flora Souza, Floriano Rocha,Antonio Arimateia Rosa,Irmã Joana Bosco, Antônio Arimateia Rosa e LizaldoVieira Poeta e Ambientalista ,
entre outros.
Divina Pastora, General Maynard, Japaratuba, Pirambu, Rosário do Catete, Santa Rosa de Lima e Siriri, população de
91.779 hab. e área de 1.474,10 km²
Dados sobre o município de Capela
População: 27.913 habitantesHomens: 13.737Mulheres: 14.176Área Total: 431,0 km²Dens. Demográfica: 64,76 hab/km² Altitude: 162 mDDD: 79CEP: 49700-00
História do município de Capela
Quando, do surgimento do município, em princípios do século XVIII, o capitão Luís de Andrade Pacheco e sua mulher, Perpétua de Matos França, fixaram residência em terras situadas entre o rio Japaratuba e a localidade de Coité, já os tupinambás as haviam abandonado, tangidos pela proximidade do homem branco. O sentimento religioso do casal determinou a doação, por escritura lavrada no tabelionato de Santo Amaro das Brotas, da quantia de cem mil réis, destinada à construção de uma capela sob o orago de N. S.ª da Purificação, no sítio denominado Tabuleiro da Cruz, em 1735. Dois anos depois, estava a capela construída. A freqüência de missas e de festejos promovidos pelo padre Luís de Andrade Pacheco, filho dos doadores, atraiu moradores circunvizinhos, que construíram novas casas e ranchos nas proximidades.O plantio do algodão, a cultura da cana e o açúcar fomentaram o comércio e expandiram a localidade.No princípio do corrente século, o progresso do Município marchava mais vivo com a mecanização de sua indústria açucareira, datando de 1914 a primeira usina de açúcar cristal. Em 1915, o ramal ferroviário Murta-Capela ligou-o aos municípios servidos pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro, inclusive às capitais Aracaju e Salvador, o que, sem dúvida, Ihe propiciou notável desenvolvimento.O distrito deve sua criação ao Alvará de 9 de fevereiro de 1813.Em virtude da Resolução do Conselho do Govêrno, aprovada pela Lei provincial de 19 de fevereiro de 1835, criou-se o Município, sob a denominação de N. S.ª da Purificação da Capela, com território desmembrado do Têrmo da Vila de Santo Amaro das Brotas.Formação Administrativa:A Lei n.° 1.331, de 28 de agôsto de 1888, concedeu à sede municipal foros de cidade. Até 1954, era composto de um só distrito, quando sofreu reformulação administrativa, pela Lei n.° 554, de 6 de fevereiro, passando a 4: Capela (sede), Barracas, Miranda e Pedras. Atualmente conserva tal composição.
Lampião em Capela
Assim como outras cidades da região, Capela foi visitada por Lampião na época do cangaço.Lampião esteve em Capela por duas vezes. Na primeira, em 24 de outubro de 1929, mandou chamar o prefeito Antão Correia de Andrade para que entrasse na cidade com ele. Virgulino passou no telégrafo e depois foi ao Cine-Teatro Capela. Filme mudo e orquestra tocando. Depois que Lampião entrou, as luzes se acenderam e o povo começou a querer sair. "Daqui ninguém sai e quem correr vê o gosto da bala atrás", teria dito Lampião. O juiz correu, conseguiu pular o muro e se escondeu num convento.O filme era Anjos das Ruas, de Janet Gaynor. Lampião mandou que a luz fosse apagada e que o filme continuasse. Disse ao jornalista Zózimo Lima que nenhuma notícia dele era para ser dada. Lampião não gostou do filme e saiu. Ele teria pedido ao prefeito 20 mil contos de réis, mas Antão só tinha 5 e ele aceitou.Em seguida, Lampião e o bando foram a uma pensão e lá almoçaram. A turma foi para a Estação de Trem à espera de soldados que vinham da Bahia. Mas nada de soldados. Depois de receber o dinheiro, de fazer algumas compras e pagar e de ganhar um livro sobre a vida de Jesus, Lampião reuniu o bando e foi embora.Em outubro de 1931, Lampião e o bando voltam a Capela. Fazem alguns reféns nas fazendas e manda o irmão do vigário informar que entraria de novo na cidade. O recado foi dado, mas desta vez um grande grupo de moradores (inclusive mulheres) se organizou, armou-se e ficou escondido nas torres da igreja. Lampião achou demorado o recado, entra na cidade e é recebido com chumbo.Fazendo referência aos tiros que vinham das torres da igreja de Nossa Senhora da Purificação, Lampião teria dito: "Vamos embora que nesta cidade até os santos atiram". Virgulino ficou nos arredores da cidade e teria praticado uma série de crimes. O Jornal da Tarde, de São Paulo, em 30 de julho de 1973, conta as histórias de Lampião em Capela.
O município de Capela está localizado na região nordeste do Estado de Sergipe,limitando-se a norte com o município de Aquidabã, a oeste com Siriri, Nossa Senhora das Dores e Cumbe, a sul com Rosário do Catete e a leste com Muribeca e Japaratuba
O CLIMA
O clima do município é do tipo megatérmico seco e sub-úmido, com temperatura média no ano de 24,9oC, precipitação pluviométrica média anual de 1.372mm e período chuvoso de março a agosto.
O RELEVO
O relevo é dissecado, predominando as formas de tabuleiros, colinas e cristas,com aprofundamento da drenagem de muito fraca a fraca.
O SOLO
Os solos são Podzólicos vermelho amarelo equivalente Eutróficos, Escuro, Latosol vermelho amarelo e Aluviais Eutróficos e Distróficos.
Lendas
Lenda da Bica - Os índios das tribos Tupã e Tupinambá eram inimigos. O cacique dos Tupã tinha uma linda filha, Bica, que se apaixonou pelo filho do cacique Tupinambá, o Beca. Um amor proibido, impossível. Um dia, os dois jovens índios foram flagrados pelo pai de Bica. Beca e Bica foram mortos e no lugar onde isso aconteceu nasceram minadores de água límpida. Acredita-se que a água sejam as lágrimas dos índios assassinados.Lenda da Igreja do Amparo - Acredita-se que do Cruzeiro até os fundos da Igreja Nossa Senhora do Amparo, à meia-noite, se alguém colocar o ouvido no chão ouve barulho forte de água corrente. Uns acreditam ser uma "perna" do Rio São Francisco.
O turismo
Festa do Mastro - Ela surgiu em 1939 por iniciativa de João Nelson de Melo. No dia 29 de junho, junto com seus irmãos e amigos, fez uma festa simples na Rua da Palmeira. Os anos passavam e a festa crescia. No noite de 31 de maio, o grupo folclórico da Sarandaia sai pelas ruas para acordar São João e pedem prêmios para serem pendurados num mastro que será arrancado na festa de São Pedro. No dia 28 de junho um homem vestido de baiana também sai pelas ruas pedindo prêmios para colocar no mastro. No dia 29, pela manhã, a multidão sai para a mata atrás de uma grande árvore. A madeira é cortada e levada num cortejo para a cidade. A lama é ingrediente básico da festa. À noite tem a queima do mastro, que tomba e os prêmios são coletados. Nesse momento tem o Grito da Vitória e a guerra de busca-pés. Também é bastante comemorada a festa da padroeira nossa senhora da purificação, que costumeiramente celebra-se no dia 2 de fiteiro quando a população sai ás ruas da cidade em procissão a virgem da purificação e todos os santos da igreja matriz.
Atualmente, Capela é famosa pela sua festa de São Pedro, onde centenas de foliões buscam nas matas próximas à cidade e erguem numa das praças um "mastro", árvore escolhida para levar em seus galhos superiores prêmios que serão posteriormente disputados em meio a uma "guerra" de rojões. Estes prêmios são ofertados pelo comércio local, sendo captados no evento conhecido como "Sarandaia", que ocorre no 1º dia do mês de junho, quando um habitante local, travestido de "baiana", passa de porta em porta acompanhado por banda de pífanos e foliões. Ao cair da noite, uma imensa fogueira é acessa aos pés do mastro e, enquanto este queima, é travada uma guerra de "espadas", "busca-pés" e "limalhas", todos derivações de rojões. Assim que o mastro cai os "combatentes" se lançam sobre ele à cata dos tais prêmios.
Também se pratica o turismo ecológico com passeios, banhos e visitação pública para a mata o junco (refugio de vida silvestre) e à bica onde se faz muita farra e toma-se banho.
Filhos ilustres
Capela é também famosa pelos filhos que lá nasceram:
Adroaldo Campos (Dudu da Capela) - Foi um dos maiores advogados de Capela;
Antão Correia de Andrade - Fundou o jornal “A Voz da Capela” e a Casa do Livro;
Augusto Ribeiro - Proprietário de uma fábrica de sabão. Foi dono do primeiro posto de gasolina;
Cônego José da Mota Cabral - Foi vigário de Capela durante 50 anos;
Dioclécio Gomes de Andrade - Grande comerciante de tecidos;
Edélzio Vieira de Melo - Médico, professor, líder político, prefeito, deputado estadual e vice-governador;
Francisco Alves de Carvalho Júnior (mestre Francisquinho) - Fundador da Filarmônica “Lira Nossa Senhora da Purificação”;
Francisco Vieira de Andrade - Juiz de Direito durante 25 anos e dono da primeira usina de açúcar do município, a Proveito;
Honorino Leal - Juiz de Paz. Foi Agente da Borracha e delegado de polícia;
Major da Guarda Nacional - Vereador e intendente. Foi deputado estadual por seis legislaturas;
José Cabral Neto - Promotor de Justiça e fundador da Fábrica de Sabão Caçote;
José Luiz Coelho e Campos - Primeiro promotor público de Capela. Foi deputado federal e senador. Quando ocupava o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal conseguiu levar para Capela a estrada de ferro. Doou o prédio de sua residência para ser transformado numa escola, que recebeu seu nome;
Maria Cecília de Oliveira - Foi a primeira e única a receber o título de Miss Capela, além de ter sido a primeira vencedora do concurso da Rainha do São Pedro. Ela foi patrocinada pela "Casa do Disco".
Manoel Raimundo de Melo - Ordenou-se sacerdote e foi vigário de Itabaiana;
Comendador Manoel de Souza Campos - Comerciante e banqueiro. Foi agraciado pelo imperador D. Pedro II com o oficialato da Imperial Ordem da Rosa e com a comenda da Imperial Ordem de Cristo, por ter libertado todos os seus escravos;
Léa Maria Lima Santos - declamadora de poemas famosa no estado do Sergipe.
E mais: Irmã Maria Clemência da Costa Lima, Juarez de Oliveira Leal, Moacyr Carvalho, Manoel Cardoso Souza, Manoel Gomes Moura, Maria da Glória da Mota Cabral, Maria de Jesus Almeida, Maria Rosa de Jesus Mota, Mestre Olívio, Monsenhor Eraldo Barbosa, Odilon Ferreira Machado, Otaviano da Mota Cabral, Otávio Teles de Almeida, Raul Dantas Vieira, Ariovaldo Barreto, Carlos Figueiredo Cabral, Flora Souza, Floriano Rocha,Antonio Arimateia Rosa,Irmã Joana Bosco, Antônio Arimateia Rosa e LizaldoVieira Poeta e Ambientalista ,
entre outros.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Sobre a Renda Irlandeza sergipana
"A maioria das rendeiras hoje trabalha por encomenda, quer seja parcelada ou direta.Vivem na dependência absoluta e imediata das demandas externas e, se não há encomenda, não têm como trabalhar na renda". (pg. 21)
Materiais:
Renda
"A renda irlandesa é uma das modalidades de renda de agulha, sendo esse o instrumento básico com o qual as hábeis mãos das artesãs transformam cordões e fios de linha em verdadeiras obras de arte". (pg.22)
Técnicas:
Trabalhos de agulha, renda irlandesa
"A renda de Divina Pastora classifica-se como irlandesa ou ponto de Irlanda". (pg.11)
"A irlandesa é renda que se faz com muitos pontos. Teoricamente esse número é indefinido, pois no dizer de uma rendeira "a gente vê na revista copia e faz", ou seja, novos pontos podem ser adicionados aos tradicionais...O mais comum é que se utilizem do redinha, o ponto básico a que chamam muitas vezes simplesmente o ponto, sem nenhum qualificativo, e que empregam em grandes áreas das costuras, sendo usuais também ilhós, aranha, picote e barrete. Os pontos conhecidos e suas variantes ascendem a quase duas dezenas, e chama a atenção a quantidade deles cuja nomeação é feita recorrendo-se a animais e vegetais, com base na analogia entre formas semelhantes presentes em seres da natureza que integram o universo das rendeiras. Entre eles pé-de-galinha, dente-de-jegue, espinha-de-peixe, aranha, boca-de-sapo, abacaxi". (pg. 26)
Descrição do processo técnico:
"A execução da renda irlandesa obedece a uma seqüência de fases que pode ser resumidamente assim apresentada: Riscar ou Copiar em papel transparente o desenho a ser elaborado. No caso das peças grandes, o risco é recortado, e as partes são distribuídas a várias rendeiras para execução da renda. Fixar o papel riscado sobre papel grosso. Alinhavar o lacê sobre o risco, acompanhando as formas do desenho. Fixar o papel com lacê já alinhavado em pequena almofada ou travesseiro, procedimento que é mais usual quando se trabalha com peças grandes. Preencher os espaços vazios entre o lacê utilizando vários pontos que são tecidos com agulha e linha. Desse modo são interligadas as formas contornadas com o lacê, que serve de suporte à execução dos pontos. Essa é a fase mais demorada da tecelagem da renda. Separar a renda do papel e do risco sobre os quais foi executada, cortando-se os alinhavos que os prendiam. No caso das peças grandes processa-se a emenda das partes antes de separar a renda do papel. Limpar a peça de renda, catando os fiapos de linha, restos de alinhavo que a ela ficaram presos. Todo o processo de fabricação da renda é realizado pelo avesso, de forma que o direito fica para dentro, protegido pelo papel, sendo exposto apenas quando, no final do trabalho, esse é retirado. Isso ajuda a preservar a renda de sujeira durante o longo processo de elaboração das peças grandes que às vezes dura meses". (pg. 22)
"A renda irlandesa é uma das modalidades de renda de agulha, sendo esse o instrumento básico com o qual as hábeis mãos das artesãs transformam cordões e fios de linha em verdadeiras obras de arte. Além da agulha, as rendeiras usam uma almofada para apoiar o papel sobre o qual ela é tecida, tesourinha e eventualmente, um dedal, objeto que nem todas utilizam, pois acham que diminui a destreza dos dedos na execução dos pontos. Um pauzinho roliço, ou mesmo um lápis fino, é utilizado na confecção dos ilhoses, um dos pontos empregados na renda". (pg. 22)
Divisão do trabalho:
"As peças grandes são quase sempre obras coletivas, em que o trabalho de cada uma, depois de pronto, é costurado ao das outras para formar o todo, num arranjo que envolve experiência e conhecimentos a fim de assegurar homogeneidade à renda, perfeito encaixe das emendas na recomposição do risco original e bom acabamento". (pg. 29)
"...no município de Divina Pastora , em Sergipe, 114 mulheres vivem da produção artesanal de renda irlandesa". (pg. 9)
"...três irmãs - Marocas (Maria Engrácia), Sinhá (Ercília) e Dina (Berenice) - aprenderam a técnica e a teriam difundido entre as mulheres da cidade". (pg.16)
"...Aurélia Maria José, mais conhecida como Dé, Lourdes, Alzira e muitas outras, a referenciar cadeias em que mestras e aprendizes se desdobravam para formar outros elos perpetuadores da técnica trazida da velha Europa, passada e repassada pelas mãos de centenas de mulheres brancas, negras, mestiças de diferentes matizes étnicos e sociais". (pg.16)
Contexto socioeconômico:
"Com 2833 habitantes (IBGE 1996), 60% dos quais concentrados na zona urbana, o município enfrenta hoje os problemas que a crise da monocultura açucareira trouxe à região. Com as atividades econômicas praticamente estagnadas, são os royalties decorrentes da extração de petróleo os principais recursos que fazem da administração pública uma das pucas oportunidades de emprego para a população local, ao lado da confecção de renda, que ocupa mais de uma centena de artesãs". (pg.11)
"A prática desse importante saber que a cultura regional oferece como recurso para a geração de renda encontra-se atualmente ameaçada, sobretudo em razão das dificuldades de comercialização dos produtos feitos pelas artesãs...Para que esse saber volte a ocupar o importante papel que tradicionalmente te desempenhado, enquanto recurso gerador de renda acessível a um número significativo de famílias pastorenses, o Programa Artesanato Solidário pretende criar, com as rendeiras de Divina Pastora, meios para que a falta de capital de giro e as dificuldades de comercialização sejam enfrentadas coletivamente. Para tanto, tem sido fundamental fortalecer o associativismo e consolidar as bases jurídicas, contábeis e administrativas de suas atividades...tem sido, também, impresindível promover o aperfeiçoamento das executantes, valorizando a relação entre as aprendizes e as mais experientes e fortalecendo os mecanismos tradicionais de controle de qualidade". (pg.11/12)
"...foi a atividade açucareira que deixou marcas mais fortes na feição socioeconômica e cultural do município, até mesmo em sua composição étnica, na qual a presença negra é bem visível". (pg.13)
"Embora essa renda seja produzida em outras localidades de Sergipe, é em Divina Pastora que há a maior concentração de rendeiras". (pg.14)
"Há uma grande diversidade interna no segmento das rendeiras de Divina Pastora, diversidade que se expressa nos ganhos dos grupos domésticos, nas moradas, nas profissões que exercem e nos modos de encaixar-se nas formas de organização do trabalho com a renda...umas estão iniciando sua vida na arte enquanto outras estão abandonando o ofício devido à velhice, ao desencanto, ou simplesmente por falta de tempo, absorvidas por atividades mais lucrativas. Há ainda as que migram, principalmente para Aracaju, a capital do estado, situada a 39km de distância". (pg.17)
"De modo que o emprego é sempre o sonho de todas elas. Fazer renda é um trabalho que se acrescenta às tarefas de donas de casa, de varredoras de rua, de merendeiras, de secretárias, de estudantes, de professoras, de mulheres jovens e velhas em cujas vidas o fazer renda se coloca de muitas formas, atendendo a diferentes anseios". (pg.18)
"Eu ia para a escola de manhã, e quando era de tarde botava tudo na frente e levava pra roça. Os irmãos já tinha ido de manhã junto com pai trabalhar nos canaviais. Eu nunca fui pra palha da cana, mas trabalhei muito na enxada. Aí resolvi a fazer renda, que era uma coisa que as mulheres daqui faziam muito. Aprendi e não fui mais pra roça. Aqui não tinha outra coisa pra se fazer. Era esse o trabalho pra mulher". (pg.18)
"Muitas meninas que substituíram o trabalho braçal nas roças e canaviais pela agulha puderam também, com os ganhos da renda, custear seus estudos, tornando-se algumas delas professoras, categoria significativa no conjunto das rendeiras da cidade". (pg.19)
"Gostar do que fazem é um traço das mulheres que trabalham com renda irlandesa em Divina Pastora. Trabalham e encantam-se com a beleza das rendas que tecem, e terminam fazendo do trabalho ofício prazeroso, que lhes permite fugir da indesejada situação de não ter o que fazer". (pg. 19) "Esse componente lúdico do fazer renda, razão apontada por muitas rendeiras entre os motivos invocados para justificar a aprendizagem e a dedicação a essa arte, torna-se mais compreensível quando se sabe que na cidade não há alternativas de divertimentos...É comum encontrar rendeiras trabalhando isoladas ou em grupos, à sombra das árvores na praça enquanto observam o vai e vem das pessoas que transitam pela cidade e mantém animadas conversas com as companheiras". (pg.18)
"Família tem um papel muito importante no processo de produção e comercialização". (pg. 20) "Tecer a renda é atividade exclusivamente feminina." (pg. 20)
"Mães, filhas, avós, netas, tias, primas, noras, cunhadas são referidas a todo momento como parceiras de trabalho, embora a produção da renda não seja circunscrita apenas pelo parentesco, admitindo outros critérios na formação das redes e dos modos de organização do trabalho, gerando várias categorias de rendeiras a depender do modo como se inserem na produção e na articulação que conseguem estabelecer com o mercado... Há rendeiras que trabalham por conta própria, as que trabalham por encomenda, as contratantes, que repassam trabalho para outras, pagando-lhes pela mão de obra e, às vezes, atuando como intermediárias... A maioria das rendeiras hoje trabalha sobre encomenda, quer seja direta ou parcelada. Vivem na dependência absoluta e imediata das demandas externas e, se não há encomenda, não tem como trabalhar a renda...No momento, por intermédio do Programa Artesanato Solidário desenvolvido pelo Conselho da Comunidade Solidária, deu-se início à criação de uma associação visando a melhores condições de produção e comercialização ". (pg.20/21)
"Viver só da renda é muito difícil, dizem elas, porque é um ganho incerto". (pg.18)
"Quando tem trabalho você ganha, quando não tem fica sem nada. E a gente tem de comer todo dia". (pg.18)
Contexto cultural:
"...a renda irlandesa e a peregrinação ao Santuário da Divina Pastora constituem-se em sinais distintivos de uma identidade local". (pg.13)
"A busca das origens sempre é um desafio a mover a curiosidade dos homens. Com relação à renda irlandesa não é diferente. Os mais eruditos buscam reatar laços com as antigas tradições dos ofícios europeus, vinculando-a às rendas de Milão (Cedran 1979) ou, mais especificamente, ás mudanças que se seguem à Revolução Industrial e ao papel desempenhado por freiras na educação feminina no Brasil, na qual se incluíam rendas e bordados. Durante o século 19, quando a influência francesa marcou fortemente a sociedade brasileira, dos livros importados constavam obras destinadas a ensinar às mulheres uma grande variedade de trabalhos manuais. Entre esses, a Encyclopédie des Ouvrages de Dames, publicado por Thérèse de Dillmont...É, portanto, nesse contexto de múltiplas influências européias sobre a sociedade brasileira do século 19 e da circularidade dos saberes entre diferentes segmentos sociais (Burke, 1989) que se situa a introdução da renda irlandesa em Divina Pastora". (pg.14/ 15)
"Com base em depoimentos das rendeiras colhidos no final da década de 1970, Lourdes Cedran escreveu: Fomos informados de que a pessoa que introduziu a renda irlandesa em Sergipe foi Da. Ana Rolemberg, já falecida, que aprendeu com Da. Violeta Sayão Dantas e a ensinou a Júlia Franco. Esta por sua vez, a transmitiu a Marocas, Ercília e Sinhá. Estas últimas três já beirando os 80 anos, ensinam até hoje o ofício da renda a quase todas as outras artesãs de Divina Pastora (Cedran 1979)". (pg.15)
"Desse modo, o momento inaugural da renda irlandesa em Divina Pastora evoca o envolvimento de senhoras da aristocracia local e de pessoas simples de seu círculo e relações, muitas delas migradas das áreas rurais, dos engenhos que entravam de fogo morto afugentando os trabalhadores que iam viver na pequena vila, sob a proteção dos antigos senhores. Aí perdura a importância dos trabalhos de agulha tão visíveis na vida das casas-grandes, conforme o registro de vários autores desde a colônia, aproximando as mulheres ricas das pobes e remediadas, a quem encarregavam de fazer, sob encomenda, os trabalhos de rendas e bordados". (pg. 16)"A versão hoje recolhida com rendeiras sexagenárias, muitas das quais incluem em suas histórias de vida passagens pelos antigos engenhos e fazendas, repete em linhas gerais aquela registrada por Lourdes Cedran em que três irmãs - Marocas (Maria Engrácia), Sinhá (Ercília) e Dina (Berenice) - aprenderam a técnica e a teriam difundido em meio às mulheres da cidade. Essa é a versão hegemônica que vigora para as rendeiras que moram nas imediações da igreja e que giram em torno das descendentes da tríade de mulheres a que se atribue a disseminação da renda irlandesa na cidade. Não raro outros nomes são evocados ao se falar a respeito da história da renda, legitimando-se com eles outros grupos de organização de rendeiras hoje atuantes na cidade, onde antigas mestras têm lugar de destaque no imaginário local. Aos já citados acrescentam-se os de Aurélia, Maria José, mais conhecida como Dé, Lourdes, Alzira e muitas outras, a referenciar cadeias em que mestras e aprendizes se desdobram para formar outros elos perpetuadores da técnica trazida da velha Europa, passada e repassada pelas mãos de centenas de mulheres brancas, negras e mestiças de diferentes matizes étnicos e sociais".(pg. 16)
Notas:
Fonte:
DANTAS, Beatriz Góis. Renda de Divina Pastora. Rio de Janeiro: Funarte/CNFCP, 2001.
Materiais:
Renda
"A renda irlandesa é uma das modalidades de renda de agulha, sendo esse o instrumento básico com o qual as hábeis mãos das artesãs transformam cordões e fios de linha em verdadeiras obras de arte". (pg.22)
Técnicas:
Trabalhos de agulha, renda irlandesa
"A renda de Divina Pastora classifica-se como irlandesa ou ponto de Irlanda". (pg.11)
"A irlandesa é renda que se faz com muitos pontos. Teoricamente esse número é indefinido, pois no dizer de uma rendeira "a gente vê na revista copia e faz", ou seja, novos pontos podem ser adicionados aos tradicionais...O mais comum é que se utilizem do redinha, o ponto básico a que chamam muitas vezes simplesmente o ponto, sem nenhum qualificativo, e que empregam em grandes áreas das costuras, sendo usuais também ilhós, aranha, picote e barrete. Os pontos conhecidos e suas variantes ascendem a quase duas dezenas, e chama a atenção a quantidade deles cuja nomeação é feita recorrendo-se a animais e vegetais, com base na analogia entre formas semelhantes presentes em seres da natureza que integram o universo das rendeiras. Entre eles pé-de-galinha, dente-de-jegue, espinha-de-peixe, aranha, boca-de-sapo, abacaxi". (pg. 26)
Descrição do processo técnico:
"A execução da renda irlandesa obedece a uma seqüência de fases que pode ser resumidamente assim apresentada: Riscar ou Copiar em papel transparente o desenho a ser elaborado. No caso das peças grandes, o risco é recortado, e as partes são distribuídas a várias rendeiras para execução da renda. Fixar o papel riscado sobre papel grosso. Alinhavar o lacê sobre o risco, acompanhando as formas do desenho. Fixar o papel com lacê já alinhavado em pequena almofada ou travesseiro, procedimento que é mais usual quando se trabalha com peças grandes. Preencher os espaços vazios entre o lacê utilizando vários pontos que são tecidos com agulha e linha. Desse modo são interligadas as formas contornadas com o lacê, que serve de suporte à execução dos pontos. Essa é a fase mais demorada da tecelagem da renda. Separar a renda do papel e do risco sobre os quais foi executada, cortando-se os alinhavos que os prendiam. No caso das peças grandes processa-se a emenda das partes antes de separar a renda do papel. Limpar a peça de renda, catando os fiapos de linha, restos de alinhavo que a ela ficaram presos. Todo o processo de fabricação da renda é realizado pelo avesso, de forma que o direito fica para dentro, protegido pelo papel, sendo exposto apenas quando, no final do trabalho, esse é retirado. Isso ajuda a preservar a renda de sujeira durante o longo processo de elaboração das peças grandes que às vezes dura meses". (pg. 22)
"A renda irlandesa é uma das modalidades de renda de agulha, sendo esse o instrumento básico com o qual as hábeis mãos das artesãs transformam cordões e fios de linha em verdadeiras obras de arte. Além da agulha, as rendeiras usam uma almofada para apoiar o papel sobre o qual ela é tecida, tesourinha e eventualmente, um dedal, objeto que nem todas utilizam, pois acham que diminui a destreza dos dedos na execução dos pontos. Um pauzinho roliço, ou mesmo um lápis fino, é utilizado na confecção dos ilhoses, um dos pontos empregados na renda". (pg. 22)
Divisão do trabalho:
"As peças grandes são quase sempre obras coletivas, em que o trabalho de cada uma, depois de pronto, é costurado ao das outras para formar o todo, num arranjo que envolve experiência e conhecimentos a fim de assegurar homogeneidade à renda, perfeito encaixe das emendas na recomposição do risco original e bom acabamento". (pg. 29)
"...no município de Divina Pastora , em Sergipe, 114 mulheres vivem da produção artesanal de renda irlandesa". (pg. 9)
"...três irmãs - Marocas (Maria Engrácia), Sinhá (Ercília) e Dina (Berenice) - aprenderam a técnica e a teriam difundido entre as mulheres da cidade". (pg.16)
"...Aurélia Maria José, mais conhecida como Dé, Lourdes, Alzira e muitas outras, a referenciar cadeias em que mestras e aprendizes se desdobravam para formar outros elos perpetuadores da técnica trazida da velha Europa, passada e repassada pelas mãos de centenas de mulheres brancas, negras, mestiças de diferentes matizes étnicos e sociais". (pg.16)
Contexto socioeconômico:
"Com 2833 habitantes (IBGE 1996), 60% dos quais concentrados na zona urbana, o município enfrenta hoje os problemas que a crise da monocultura açucareira trouxe à região. Com as atividades econômicas praticamente estagnadas, são os royalties decorrentes da extração de petróleo os principais recursos que fazem da administração pública uma das pucas oportunidades de emprego para a população local, ao lado da confecção de renda, que ocupa mais de uma centena de artesãs". (pg.11)
"A prática desse importante saber que a cultura regional oferece como recurso para a geração de renda encontra-se atualmente ameaçada, sobretudo em razão das dificuldades de comercialização dos produtos feitos pelas artesãs...Para que esse saber volte a ocupar o importante papel que tradicionalmente te desempenhado, enquanto recurso gerador de renda acessível a um número significativo de famílias pastorenses, o Programa Artesanato Solidário pretende criar, com as rendeiras de Divina Pastora, meios para que a falta de capital de giro e as dificuldades de comercialização sejam enfrentadas coletivamente. Para tanto, tem sido fundamental fortalecer o associativismo e consolidar as bases jurídicas, contábeis e administrativas de suas atividades...tem sido, também, impresindível promover o aperfeiçoamento das executantes, valorizando a relação entre as aprendizes e as mais experientes e fortalecendo os mecanismos tradicionais de controle de qualidade". (pg.11/12)
"...foi a atividade açucareira que deixou marcas mais fortes na feição socioeconômica e cultural do município, até mesmo em sua composição étnica, na qual a presença negra é bem visível". (pg.13)
"Embora essa renda seja produzida em outras localidades de Sergipe, é em Divina Pastora que há a maior concentração de rendeiras". (pg.14)
"Há uma grande diversidade interna no segmento das rendeiras de Divina Pastora, diversidade que se expressa nos ganhos dos grupos domésticos, nas moradas, nas profissões que exercem e nos modos de encaixar-se nas formas de organização do trabalho com a renda...umas estão iniciando sua vida na arte enquanto outras estão abandonando o ofício devido à velhice, ao desencanto, ou simplesmente por falta de tempo, absorvidas por atividades mais lucrativas. Há ainda as que migram, principalmente para Aracaju, a capital do estado, situada a 39km de distância". (pg.17)
"De modo que o emprego é sempre o sonho de todas elas. Fazer renda é um trabalho que se acrescenta às tarefas de donas de casa, de varredoras de rua, de merendeiras, de secretárias, de estudantes, de professoras, de mulheres jovens e velhas em cujas vidas o fazer renda se coloca de muitas formas, atendendo a diferentes anseios". (pg.18)
"Eu ia para a escola de manhã, e quando era de tarde botava tudo na frente e levava pra roça. Os irmãos já tinha ido de manhã junto com pai trabalhar nos canaviais. Eu nunca fui pra palha da cana, mas trabalhei muito na enxada. Aí resolvi a fazer renda, que era uma coisa que as mulheres daqui faziam muito. Aprendi e não fui mais pra roça. Aqui não tinha outra coisa pra se fazer. Era esse o trabalho pra mulher". (pg.18)
"Muitas meninas que substituíram o trabalho braçal nas roças e canaviais pela agulha puderam também, com os ganhos da renda, custear seus estudos, tornando-se algumas delas professoras, categoria significativa no conjunto das rendeiras da cidade". (pg.19)
"Gostar do que fazem é um traço das mulheres que trabalham com renda irlandesa em Divina Pastora. Trabalham e encantam-se com a beleza das rendas que tecem, e terminam fazendo do trabalho ofício prazeroso, que lhes permite fugir da indesejada situação de não ter o que fazer". (pg. 19) "Esse componente lúdico do fazer renda, razão apontada por muitas rendeiras entre os motivos invocados para justificar a aprendizagem e a dedicação a essa arte, torna-se mais compreensível quando se sabe que na cidade não há alternativas de divertimentos...É comum encontrar rendeiras trabalhando isoladas ou em grupos, à sombra das árvores na praça enquanto observam o vai e vem das pessoas que transitam pela cidade e mantém animadas conversas com as companheiras". (pg.18)
"Família tem um papel muito importante no processo de produção e comercialização". (pg. 20) "Tecer a renda é atividade exclusivamente feminina." (pg. 20)
"Mães, filhas, avós, netas, tias, primas, noras, cunhadas são referidas a todo momento como parceiras de trabalho, embora a produção da renda não seja circunscrita apenas pelo parentesco, admitindo outros critérios na formação das redes e dos modos de organização do trabalho, gerando várias categorias de rendeiras a depender do modo como se inserem na produção e na articulação que conseguem estabelecer com o mercado... Há rendeiras que trabalham por conta própria, as que trabalham por encomenda, as contratantes, que repassam trabalho para outras, pagando-lhes pela mão de obra e, às vezes, atuando como intermediárias... A maioria das rendeiras hoje trabalha sobre encomenda, quer seja direta ou parcelada. Vivem na dependência absoluta e imediata das demandas externas e, se não há encomenda, não tem como trabalhar a renda...No momento, por intermédio do Programa Artesanato Solidário desenvolvido pelo Conselho da Comunidade Solidária, deu-se início à criação de uma associação visando a melhores condições de produção e comercialização ". (pg.20/21)
"Viver só da renda é muito difícil, dizem elas, porque é um ganho incerto". (pg.18)
"Quando tem trabalho você ganha, quando não tem fica sem nada. E a gente tem de comer todo dia". (pg.18)
Contexto cultural:
"...a renda irlandesa e a peregrinação ao Santuário da Divina Pastora constituem-se em sinais distintivos de uma identidade local". (pg.13)
"A busca das origens sempre é um desafio a mover a curiosidade dos homens. Com relação à renda irlandesa não é diferente. Os mais eruditos buscam reatar laços com as antigas tradições dos ofícios europeus, vinculando-a às rendas de Milão (Cedran 1979) ou, mais especificamente, ás mudanças que se seguem à Revolução Industrial e ao papel desempenhado por freiras na educação feminina no Brasil, na qual se incluíam rendas e bordados. Durante o século 19, quando a influência francesa marcou fortemente a sociedade brasileira, dos livros importados constavam obras destinadas a ensinar às mulheres uma grande variedade de trabalhos manuais. Entre esses, a Encyclopédie des Ouvrages de Dames, publicado por Thérèse de Dillmont...É, portanto, nesse contexto de múltiplas influências européias sobre a sociedade brasileira do século 19 e da circularidade dos saberes entre diferentes segmentos sociais (Burke, 1989) que se situa a introdução da renda irlandesa em Divina Pastora". (pg.14/ 15)
"Com base em depoimentos das rendeiras colhidos no final da década de 1970, Lourdes Cedran escreveu: Fomos informados de que a pessoa que introduziu a renda irlandesa em Sergipe foi Da. Ana Rolemberg, já falecida, que aprendeu com Da. Violeta Sayão Dantas e a ensinou a Júlia Franco. Esta por sua vez, a transmitiu a Marocas, Ercília e Sinhá. Estas últimas três já beirando os 80 anos, ensinam até hoje o ofício da renda a quase todas as outras artesãs de Divina Pastora (Cedran 1979)". (pg.15)
"Desse modo, o momento inaugural da renda irlandesa em Divina Pastora evoca o envolvimento de senhoras da aristocracia local e de pessoas simples de seu círculo e relações, muitas delas migradas das áreas rurais, dos engenhos que entravam de fogo morto afugentando os trabalhadores que iam viver na pequena vila, sob a proteção dos antigos senhores. Aí perdura a importância dos trabalhos de agulha tão visíveis na vida das casas-grandes, conforme o registro de vários autores desde a colônia, aproximando as mulheres ricas das pobes e remediadas, a quem encarregavam de fazer, sob encomenda, os trabalhos de rendas e bordados". (pg. 16)"A versão hoje recolhida com rendeiras sexagenárias, muitas das quais incluem em suas histórias de vida passagens pelos antigos engenhos e fazendas, repete em linhas gerais aquela registrada por Lourdes Cedran em que três irmãs - Marocas (Maria Engrácia), Sinhá (Ercília) e Dina (Berenice) - aprenderam a técnica e a teriam difundido em meio às mulheres da cidade. Essa é a versão hegemônica que vigora para as rendeiras que moram nas imediações da igreja e que giram em torno das descendentes da tríade de mulheres a que se atribue a disseminação da renda irlandesa na cidade. Não raro outros nomes são evocados ao se falar a respeito da história da renda, legitimando-se com eles outros grupos de organização de rendeiras hoje atuantes na cidade, onde antigas mestras têm lugar de destaque no imaginário local. Aos já citados acrescentam-se os de Aurélia, Maria José, mais conhecida como Dé, Lourdes, Alzira e muitas outras, a referenciar cadeias em que mestras e aprendizes se desdobram para formar outros elos perpetuadores da técnica trazida da velha Europa, passada e repassada pelas mãos de centenas de mulheres brancas, negras e mestiças de diferentes matizes étnicos e sociais".(pg. 16)
Notas:
Fonte:
DANTAS, Beatriz Góis. Renda de Divina Pastora. Rio de Janeiro: Funarte/CNFCP, 2001.
Renda Irlandeza Patrimonio Cultural do BrASIL
A Renda iRLANDEZA de Divina Pastora Sergipe é considerada Patrimônio Cultural do Brasil
A Manutenção da tradição por associações locais rendeu o reconhecimento nacional do artesanato.
A renda irlandesa de Sergipe foi considerada Patrimônio Cultural do Brasil pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Introduzida em Sergipe pelo colonizador português, a renda irlandesa logo se tornou algo associado à aristocracia. Com um traçado intricado que utiliza uma folha de papel manteiga como suporte, a renda irlandesa difere de outros tipos, como a renda de bilros, por exemplo, devido aos espaçamentos entre os pontos e desenhos mais elaborados.
Aos poucos a tradição das famílias ricas foi aprendida pelas serviçais, e o que era símbolo de ostentação acabou servindo de sustento para muitas famílias. Somente na cidade de Divina Pastora, reduto da produção rendeira no Estado, 122 mulheres rendeiras foram cadastradas pela Associação pelo Desenvolvimento da Renda de Divina Pastora - Asderen. A associação teve papel decisivo no reconhecimento da atividade artesanal como patrimônio cultural, pois auxiliou na pesquisa de registro e catalogou o trabalho de artesãs em sete localidades no estado.
O fato de ser uma arte que perdura há muito tempo com as mesmas características e de se constituir um saber popular fez com que a renda irlandesa pudesse ser considerada Patrimônio Cultural do Brasil. Com o título, a associação espera poder divulgar ainda mais o artesanato e trazer mais renda (essa em dinheiro) para as famílias de Divina Pastora. O reconhecimento atrai um interesse em conhecer a renda que beneficia outras áreas, como o turismo.
A Manutenção da tradição por associações locais rendeu o reconhecimento nacional do artesanato.
A renda irlandesa de Sergipe foi considerada Patrimônio Cultural do Brasil pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Introduzida em Sergipe pelo colonizador português, a renda irlandesa logo se tornou algo associado à aristocracia. Com um traçado intricado que utiliza uma folha de papel manteiga como suporte, a renda irlandesa difere de outros tipos, como a renda de bilros, por exemplo, devido aos espaçamentos entre os pontos e desenhos mais elaborados.
Aos poucos a tradição das famílias ricas foi aprendida pelas serviçais, e o que era símbolo de ostentação acabou servindo de sustento para muitas famílias. Somente na cidade de Divina Pastora, reduto da produção rendeira no Estado, 122 mulheres rendeiras foram cadastradas pela Associação pelo Desenvolvimento da Renda de Divina Pastora - Asderen. A associação teve papel decisivo no reconhecimento da atividade artesanal como patrimônio cultural, pois auxiliou na pesquisa de registro e catalogou o trabalho de artesãs em sete localidades no estado.
O fato de ser uma arte que perdura há muito tempo com as mesmas características e de se constituir um saber popular fez com que a renda irlandesa pudesse ser considerada Patrimônio Cultural do Brasil. Com o título, a associação espera poder divulgar ainda mais o artesanato e trazer mais renda (essa em dinheiro) para as famílias de Divina Pastora. O reconhecimento atrai um interesse em conhecer a renda que beneficia outras áreas, como o turismo.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Sincretismo religuioso
Sincretismo religioso
Página acima: Relativo às religiões
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Sincretismo [do grego sygkretismós] - 1. Reunião de idéias ou de teses de origens disparatadas. 2. Amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas.
Assimilando rituais e imagens do Catolicismo, de mistura com os elementos islâmicos já absorvidos na África, os negros transformaram as imagens da idolatria cristã em representações dos deuses africanos. Temos hoje no Brasil milhares de terreiros de Umbanda, Quimbanda, Aruanda, Candomblé e outras variantes, em que as práticas das religiões primitivas da África se desenvolvem, no processo sociologicamente bem pesquisado com o nome genérico de Sincretismo Religioso Afro-Brasileiro.
J. HERCULANO PIRES
ETAPAS HISTÓRICAS E CAUSAS DO SINCRETISMO
1ª etapa: africanaOs cultos africanos, passo inicial da formação da Umbanda, foram extremamente influenciados pelos povos que dominaram a África desde 900 a.C.. Os egípcios, indianos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos, etc., deixaram "marcas" de sua influência nos chamados "puros" cultos africanos. Podemos exemplificar citando o turbante (origem indiana), o pano da costa (origem árabe) e a figa (origem turca) como sinais lógicos da presença desses povos dominadores.
2ª etapa: escravatura no Brasil de 1530 a 1888As bases da Umbanda no Brasil começam por volta de 1530 com a escravatura desordenada e em massa de diversos cultos, nações e línguas de negros africanos, ocasionando uma mistura de concepções religiosas.
3ª etapa: influência espírita de 1888 em dianteO espiritismo chegou ao Brasil por volta de 1873 e contribuiu, na formação da religião umbandista, com sua influência doutrinária e explicativa dos fenômenos mediúnicos, do karma, da reencarnação, do conceito de espírito-guia e da evangelização da religião através do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Kardec.
4ª etapa: ocultismo e filosofia oriental. Origem da Umbanda no Brasil.
A Umbanda é, portanto, o produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação, em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e das crenças dos negros, do branco e do índio. Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de baixo espiritismo, "macumba" e magia negra, era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado dos planos espirituais superiores, feito pelos espíritos que se apresentavam como caboclos, pretos-velhos e crianças. O termo Umbanda, que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente, é um termo sagrado que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus.
Nas atividades dos vários segmentos do Sincretismo Religioso são realizados trabalhos muito úteis, numa primeira fase dos problemas humanos e espirituais. Todavia, para uma aprendizagem libertadora a geratriz de cabedal de luz, o conhecimento espírita constitui o repositório de sabedoria que ampara o indivíduo e o impulsiona montanha acima, no rumo dos acumes.
Página acima: Relativo às religiões
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Sincretismo [do grego sygkretismós] - 1. Reunião de idéias ou de teses de origens disparatadas. 2. Amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas.
Assimilando rituais e imagens do Catolicismo, de mistura com os elementos islâmicos já absorvidos na África, os negros transformaram as imagens da idolatria cristã em representações dos deuses africanos. Temos hoje no Brasil milhares de terreiros de Umbanda, Quimbanda, Aruanda, Candomblé e outras variantes, em que as práticas das religiões primitivas da África se desenvolvem, no processo sociologicamente bem pesquisado com o nome genérico de Sincretismo Religioso Afro-Brasileiro.
J. HERCULANO PIRES
ETAPAS HISTÓRICAS E CAUSAS DO SINCRETISMO
1ª etapa: africanaOs cultos africanos, passo inicial da formação da Umbanda, foram extremamente influenciados pelos povos que dominaram a África desde 900 a.C.. Os egípcios, indianos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos, etc., deixaram "marcas" de sua influência nos chamados "puros" cultos africanos. Podemos exemplificar citando o turbante (origem indiana), o pano da costa (origem árabe) e a figa (origem turca) como sinais lógicos da presença desses povos dominadores.
2ª etapa: escravatura no Brasil de 1530 a 1888As bases da Umbanda no Brasil começam por volta de 1530 com a escravatura desordenada e em massa de diversos cultos, nações e línguas de negros africanos, ocasionando uma mistura de concepções religiosas.
3ª etapa: influência espírita de 1888 em dianteO espiritismo chegou ao Brasil por volta de 1873 e contribuiu, na formação da religião umbandista, com sua influência doutrinária e explicativa dos fenômenos mediúnicos, do karma, da reencarnação, do conceito de espírito-guia e da evangelização da religião através do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Kardec.
4ª etapa: ocultismo e filosofia oriental. Origem da Umbanda no Brasil.
A Umbanda é, portanto, o produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação, em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e das crenças dos negros, do branco e do índio. Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de baixo espiritismo, "macumba" e magia negra, era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado dos planos espirituais superiores, feito pelos espíritos que se apresentavam como caboclos, pretos-velhos e crianças. O termo Umbanda, que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente, é um termo sagrado que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus.
Nas atividades dos vários segmentos do Sincretismo Religioso são realizados trabalhos muito úteis, numa primeira fase dos problemas humanos e espirituais. Todavia, para uma aprendizagem libertadora a geratriz de cabedal de luz, o conhecimento espírita constitui o repositório de sabedoria que ampara o indivíduo e o impulsiona montanha acima, no rumo dos acumes.
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